Uma ex-tesoureira da Faculdade de Medicina Dentária do Porto é julgada a partir de quinta-feira pelo alegado desvio de 144 mil euros da instituição e por simular o roubo de parte daquele montante que não devolveu.

Fonte judicial disse hoje que o julgamento foi agendado para o tribunal de São João Novo, no Porto, e a mulher, de 50 anos, está acusada pela prática dos crimes de peculato, falsidade informática e simulação de crime.

Segundo o Ministério Público (MP), os factos ocorreram em 2014 e 2015, envolvendo verbas de inscrições e propinas dos alunos da Faculdade e de consultas de Medicina Dentária feitas na clínica daquele estabelecimento de ensino.

A arguida foi devolvendo parte do dinheiro desviado, uns 67 mil euros, encenando o roubo do restante (75 mil em dinheiro e 2 mil euros em cheque) em abril de 2005, perante a iminência de uma auditoria às contas da Faculdade.

Notícias da altura indicavam que os 77 mil euros "desapareceram de dentro de uma pasta que estava em cima da secretária" da tesoureira, que foi suspensa por oito meses por "negligência grosseira".

Só dois anos de depois as autoridades confirmaram que se tratara de simulação do roubo e as razões por que tinha sido feito.

Num processo em que a Universidade do Porto se constituiu assistente, o MP reclama que a arguida entregue ao Estado os 77 mil euros que lucrou com o desfalque.