Os 31 estudantes universitários e as duas famílias retirados na segunda-feira de um prédio em Lisboa foram buscar bens e pertences, uma vez que o imóvel se mantém sem condições de segurança, disse fonte da Câmara.

A mesma fonte disse à Lusa que o prédio na rua Tomás Ribeiro está ser monitorizado desde dezembro de 2019, reforçando que “o imóvel foi sujeito a vistoria à qual se seguirá uma intimação para realização de obras de conservação”, uma vez que se trata de propriedade privada.

Em causa está o “perigo de queda iminente” da fachada lateral direita do prédio n.º 89-91 da rua Tomás Ribeiro, na zona lisboeta de Picoas, segundo explicou na segunda-feira o chefe Joaquim Afonso do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB) de Lisboa.

O alerta para o risco de "queda de estruturas" naquela rua foi dado pelas 12:48 de segunda-feira devido ao aparecimento de “fendas no prédio”, mobilizando para o local 10 operacionais dos bombeiros, com três viaturas de socorro.

Joaquim Afonso apontou como causa para as fissuras a realização de obras num terreno ao lado, que incluem escavações.

No prédio de sete pisos encontra-se instalada uma residência masculina da Universidade de Lisboa, que dispõe a capacidade de alojamento de 31 estudantes.

Em declarações à Lusa, o diretor dos Serviços de Ação Social da Universidade de Lisboa, Carlos Dá Mesquita, adiantou que se procedeu à retirada dos 31 estudantes e o seu realojamento na Pousada de Juventude.

Hoje, das 14:00 às 17:30, os estudantes puderam retirar os seus bens e pertences, avançou Carlos Dá Mesquita, referindo que, em termos de realojamento, esta vai ser a última noite que passam na Pousada de Juventude.

Na quarta-feira, os universitários vão ser encaminhados para outras residências, assegurou o responsável pelos Serviços de Ação Social da Universidade de Lisboa, acrescentando que este realojamento foi combinado com os estudantes.

Apesar de a Universidade de Lisboa ser apenas arrendatária de dois andares deste prédio, Carlos Dá Mesquita disse que está prevista uma reunião na quinta-feira entre o empreiteiro da obra ao lado, os proprietários do imóvel evacuado, a Proteção Civil e a Câmara Municipal de Lisboa.

“O senhorio ficou de nos dar conhecimento do que sair da reunião”, acrescentou.

Na segunda-feira, numa nota enviada à Lusa, fonte da Câmara Municipal de Lisboa (CML) disse que, além dos estudantes, este prédio é ocupado “pelo Sindicato dos Magistrados Judiciais, por uma agência de viagens, uma clínica e por dois agregados [familiares] - um de quatro e outro de três pessoas, respetivamente, ocupando dois fogos diferentes”.

“Informada em dezembro de 2019 pelos seus ocupantes da existência de fissuras nas paredes do prédio, a CML deslocou-se ao local, fez vistoria e foram colocados fissurómetros (instrumentos de medição) de modo a monitorizar o imóvel”, explicou a autarquia, referindo que foi pedido aos moradores que dessem o alerta “logo que os fissurómetros rompessem”, o que se verificou na segunda-feira.

Neste âmbito, a autarquia “evacuou de imediato o edifício”, assegurou a CML.

Quanto às famílias, a autarquia indicou que “o agregado que é proprietário da habitação onde vivia optou por recorrer a soluções próprias para realojamento” e, no caso do outro fogo, que era arrendado, o realojamento do agregado foi assegurado pelo seu proprietário.

“As pessoas só deverão regressar às suas casas depois de se realizarem as obras necessárias a conferir segurança ao edifício, sujeitas a prévia fiscalização por parte da CML”, concluiu a Câmara.