As 14 famílias de Sacavém que ficaram desalojadas em maio, na sequência de um incêndio, já foram realojadas em fogos municipais, anunciou o presidente da Câmara Municipal de Loures.

O anúncio foi feito ao início desta tarde por Bernardino Soares (CDU), durante uma conferência de imprensa que se realizou no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Sacavém, local onde as 14 famílias - constituídas por 37 pessoas, das quais 20 são adultos e 17 menores - pernoitaram até ao fim de semana.

A solução agora encontrada pela Câmara Municipal de Loures, no distrito de Lisboa, surge uma semana depois de ter sido anunciado que os moradores seriam realojados ao abrigo do programa estatal Porta de Entrada, com uma renda apoiada a 100% durante um período de 12 meses.

Contudo, essa solução, segundo Bernardino Soares, acabou por não ser exequível e a autarquia teve de encontrar outra alternativa.

Nós fizemos uma pesquisa muito intensa de habitações nesta zona que pudessem ser arrendadas e das quase 30 que vimos só quatro poderiam ter eventualmente essa capacidade. A câmara intensificou a sua ação interna no sentido de encontrar casas mesmo que não em condições ideais para alojar as pessoas”, apontou.

Nesse sentido, o autarca comunista reconheceu que em “condições normais” algumas das habitações não seriam utilizadas para esse fim, mas que “numa situação de emergência” a autarquia teve de “lançar mão de todos os meios que tinha à disposição”.

Agora vai ser preciso ainda fazer alguns arranjos nas habitações, mas foi consenso de todos, incluído dos moradores, que esta solução era melhor do que a permanência aqui no pavilhão dos bombeiros”, ressalvou.

Tendo em conta este caso, Bernardino Soares alertou a tutela para a insuficiência dos atuais programas de apoio à habitação, sobretudo no que se refere a concelhos da Área Metropolitana de Lisboa.

Os instrumentos que estão em vigor são muito difíceis de aplicar no terreno, sobretudo em zonas como a Área Metropolitana de Lisboa, onde os preços do arrendamento estão muito inflacionados. E se não fosse esta disponibilidade do município e este improviso ainda teríamos as pessoas a viver aqui no pavilhão de Sacavém”, apontou.

As 14 famílias foram distribuídas pelas localidades da Apelação, Sacavém e Prior Velho.

No passado dia 19 de maio, um incêndio numa zona de mato, em Sacavém, no distrito de Lisboa, atingiu as instalações de um antigo paiol do Exército, da responsabilidade do Ministério da Defesa, deixando desalojadas 14 famílias que ali moravam em condições precárias.

O antigo paiol é, desde 1989, propriedade da Empordef, `holding´ estatal que gere as participações públicas nas empresas de Defesa e que é tutelada pelo Ministério da Defesa.

Atualmente, no local continuam a residir cerca de seis dezenas de pessoas.