Maddie tem hoje 13 anos. Quase a fazer 14. Caso esteja viva, uma hipótese que muitos consideram pouco ou nada provável, a começar pelo antigo inspetor da Judiciária, Gonçalo Amaral.

O investigador que chefiou as buscas e perícias na Praia da Luz, há dez anos, saiu da PJ. Escreveu um livro, polémico e ao que se pensa rentável, "A verdade da mentira", onde sustentou que Maddie teria morrido na altura em que desapareceu.

Os pais, Kate e Gerry, que estavam no aldeamento Ocean Club numa jantarada com amigos, tendo deixado a menina no quarto a dormir com os dois irmãos gémeos mais novos estariam implicados. Primeiro, pelo desleixo face aos filhos. Depois, porque seria a única explicação para o desaparecimento, afastada a tese de rapto, inicialmente perseguida.

Gonçalo Amaral foi processado por Kate e Gerry. O livro foi retirado do mercado, após uma providência cautelar interposta, já após ter vendido largos milhares de exemplares e de correr digitalizado pela internet.

Por fim, Gonçalo Amaral foi ilibado, num recurso que chegou ao Supremo Tribunal. Derrotados em Portugal, os pais de Maddie ameaçam agora queixar-se da Justiça portuguesa nas instâncias europeias. Mas até que o façam, o antigo inspetor voltou à carga. Reafirmando sempre a sua tese de que a menina morreu.

A secreta e a política

Há cerca de uma semana, num documentário transmitido por uma televisão australiana, Gonçalo Amaral sustentou que agentes do MI5, os serviços secretos britânicos, terão ajudado a fazer desaparecer o corpo da criança, que teria morrido na Praia da Luz.

Quanto menos se disser sobre Gonçalo Amaral, melhor", terá sido o único e singelo comentário do pai Gerry McCann, transcrito pelo tablóide inglês The Sun.

Inegáveis, desde os acontecimentos de 3 de maio de 2007, eram os conhecimentos que o cirurgião Gerry McCann tinha no mundo da política britânica, em especial com Tony Blair e o seu sucessor como primeiro-ministro, Gordon Brown, os Trabalhistas que então mandavam no Reino Unido.

Ainda assim, a chefia da Polícia Judiciária negou e continua a negar qualquer tipo de ingerências nas investigações. Que começaram há dez anos, foram suspensas e entretanto retomadas.

A Polícia Judiciária não sentiu qualquer pressão política das autoridades inglesas e menos ainda das portuguesas para agir desta ou daquela maneira. Essa pressão não existiu de todo”, afirmou o diretor adjunto, Pedro do Carmo, numa recente entrevista à agência Lusa.

Entretanto, o ex-inspetor da Polícia Judiciária carregou na nota. Há dias, sustentou em declarações a publicações com o selo Correio da Manhã, que o corpo da menina teria sido congelado e posteriormente cremado dentro do caixão de uma defunta inglesa que vivia no Algarve.

Gonçalo Amaral, desde as primeiras investigações, sempre se mostrou convicto da tese que aponta para a morte da menina. Alicerçada num conjunto de indícios, para os quais, segundo o próprio, nem os pais, nem os amigos ingleses com quem descontraidamente partilhavam as férias no Algarve, conseguiram explicar.  

A ajudar às teses de morte, acidental, que fosse, estiveram sempre pormenores como o facto de os pais se ausentarem do quarto deixando os filhos a dormir e de ser frequente administrarem Calpol, um calmante usado com frequência entre os britânicos para as crianças.

Em 2007, o uso do medicamento foi assumido numa entrevista pelo avô da criança. A mãe, a anestesista Kate, recusou-se então a responder a isso, quando questionada.

Tal como deixou outras 48 perguntas por responder, quando inquirida pela Polícia Judiciária, a 7 de setembro de 2007.

Rapto e milhões de libras

Morte, para os pais, é palavra tabu. Nas vésperas do décimo aniversário do desaparecimento de Maddie voltaram a apelar por todas as formas a que continuem as buscas, com entrevistas e apelos nas redes sociais. Acreditam que a filha está viva e será hoje uma adolescente quase a fazer 14 anos.

Na página oficial na rede Facebook, Kate e Gerry vão colecionando os apelos. E aí mantêm também as ligações para os canais de angariação de fundos. Porque dez anos de buscas, campanhas, detetives privados e processos judiciais custam muito. E terão custado um balúrdio, a fiar no que vem a lume.

A reabertura da investigação pela polícia britânica foi recentemente considerada "um alívio" para o pai, Gerry. Só que, dos 29 detetives que a designada "Operação Grange" inicialmente envolveu restam apenas quatro dedicados ao caso. E desde então já foram gastas cerca de 12 milhões de libras. Uns 14 milhões de euros.

Pela parte que lhes toca, milhões de libras também tem sido a medida das contas do casal McCann.

Há um ano, o jornal The Sun contabilizava 4,2 milhões de libras (cinco milhões de euros) recebidos pelos McCann em donativos, desde o desaparecimento da filha. Ainda assim, estariam sem grande margem financeira, com apenas 480 mil libras em depósito. Que até poderiam sumir-se com pagamentos a advogados que então se adivinhavam.

A campanha de angariação de fundos para encontrar Maddie continua. Recorrendo até à venda de pulseiras, camisolas, porta-chaves. Tal como prosseguem as investigações, da polícia britânica e da portuguesa, após o caso ter sido reaberto.

Do lado britânico, o investigador Mark Rowley afirmou recentemente ter “linhas de investigação cruciais”. Perseguindo, ao que se presume, a tese de rapto da criança. Que terá hoje outra aparência, próxima da que os pais apresentaram numa fotografia simulada em computador, em 2012, de uma filha então com nove anos.

Tempo roubado

Passados dez anos, os pais insistem na tese de rapto e lamentam apenas o tempo que lhes foi roubado. A eles e à filha, que acreditam estar ainda viva.

Não tendo descoberto qualquer sinal de homicídio, de suicídio, de atropelamento, de afogamento ou de qualquer outro que também poderia ser plausível (...) a tese do rapto é a que tem sentido", é a postura do conhecido advogado lisboeta e antigo Bastonário, Rogério Alves, que representa os McCann em Portugal.

Em entrevista à agência Lusa, o advogado bate-se pelos seus clientes e salienta que a tese da "responsabilização dos pais só tem pontos fracos" e é "totalmente absurda".

Não tem qualquer sentido. Toda a gente pode confabular sobre aquilo que entende e admitir que foi o Super-Homem, que foi um OVNI ou outra coisa. Nesse quadro também se pode incorporar a responsabilização dos pais. As pessoas quando não sabem dizem uma coisa qualquer", acrescentou o advogado.

Ovnis, super-homens e desaparecimentos por artes mágicas, em bom rigor, nunca foram avançados como plausíveis, a não ser por videntes e adivinhadores de circunstância, que também os houve, como em qualquer enigma que já dura dez anos.

Raptada por redes pedófilas ou dedicadas ao tráfico de crianças foi uma das teses mais enfatizadas por quem ainda procura Maddie. A última insistência surgiu nos tablóides britânicos, com declarações de uma baby-sitter que trabalharia à data no Ocean Club, segundo a qual o resort seria tudo, menos seguro.

Para quem acredita que a menina foi raptada e está viva - e casos há de sequestro por muitos e muitos anos - , há, contudo, uma dúvida que ninguém consegue esclarecer: onde está Maddie McCann?

Pois, sobre o eventual paradeiro, também não faltam teses com fartura. O jornal britânico The Sun compilou uma lista de mais de oito mil avistamentos da menina ao longo dos últimos dez anos. E em 101 países. Da Europa, das Américas e até em estados tão improváveis como o comunista Laos, o vizinho Vietname ou o africano Uganda.

Dez anos de enigma

Desde o desaparecimento de Madeleine McCan, a 3 de maio de 2007, muitos dias se passaram. Alguns com factos de relevo, que aqui se podem recordar, numa cronologia elaborada pela agência noticiosa Lusa.

Falta apenas saber qual a data em que o mistério de Maddie será desvendado. Mas parece que esse dia ainda poderá vir longe. E demorar, quem sabe, talvez mais dez anos.

2007

3 maio: Madeleine, menina britânica de três anos, desapareceu do quarto onde dormia juntamente com os dois irmãos gémeos num apartamento do aldeamento turístico Ocean Club, na Praia da Luz, Lagos.

Os pais, médicos, jantavam com um grupo de amigos num restaurante do 'resort' a cerca de 50 metros do apartamento. Tinham chegado ao Algarve a 28 de Abril.

5 maio: O diretor da Polícia Judiciária de Faro, Guilhermino Encarnação, disse estar em situação de assegurar que a criança terá sido raptada e que todos os caminhos apontam para um crime de rapto, existindo já um 'esboço' de um suspeito.

O embaixador britânico em Portugal, John Buck, desloca-se à Praia da Luz, onde anuncia a chegada de três polícias britânicos.

7 maio: As autoridades alargam para 15 quilómetros o raio das buscas em torno do apartamento.

9 maio - Uma turista norueguesa, Mari Olli, de 45 anos, residente em Fuengirola, Espanha, garante ter visto Madeleine numa estação de serviço em Marrocos.

10 maio: O casal McCann é ouvido, pela segunda vez, na PJ, enquanto o apartamento onde estavam alojados voltou a ser revistado.

A PJ informa que as buscas da GNR no terreno estão a terminar.

O porta-voz da PJ para o caso assegura que não recai qualquer tipo de suspeita sobre familiares e amigos da criança.

11 maio: A GNR termina as buscas. Empresário escocês Stephen Winyard, dono do ginásio Stobo Castle, em Peebleshire, Escócia, oferece uma recompensa de 1,4 milhões de euros para quem encontrar a menina.

12 maio: Madeleine completaria 4 anos da idade.

14 maio: Robert Murat, a sócia polaca e o seu marido, Luís António, são ouvidos no Departamento de Investigação Criminal da PJ em Portimão. Robert Murat torna-se no primeiro arguido no processo do desaparecimento da menina, ao fim de 14 horas a ser ouvido.

18 maio: O sítio da Internet "findmadeleine.com" - para tentar encontrar a criança e recolher recursos com esse objetivo - recebe 55 milhões de visitas em dois dias, tendo o fundo atingido a quantia de 73.505 libras (cerca de 102 mil euros), anunciou Calum MacRae, diretor da Infohost, empresa escocesa de informática que mantém o sítio da Internet.

23 maio: Casal McCann desloca-se a Fátima. Cerca de um milhar de peregrinos rezou o terço na Capelinha das Aparições, na companhia de Gerry e Kate McCann.

25 maio: PJ revela a descrição do presumível raptor. O casal dá a sua primeira entrevista formal desde que a filha desapareceu.

27 maio: O semanário inglês The Observer revela que o então ministro das Finanças britânico e futuro primeiro-ministro, Gorden Brown, pressionou a polícia portuguesa para que divulgasse a descrição de um suspeito.

30 maio: O casal McCann desloca-se a Roma. Na Praça de São Pedro, no Vaticano, o papa Bento XVI confortou os pais e benzeu uma foto de Madeleine no final da audiência geral.

15 junho: A PJ investiga em Odiáxere (Lagos) um local onde poderia estar o corpo de Madeleine, assinalado por uma carta anónima proveniente da Bélgica e divulgada pelo jornal holandês De Telegraaf. Ao fim do dia, a polícia anuncia que se tratou de mais uma pista falsa.

22 junho: Pais assinalaram 50 dias sobre a data do alegado rapto com o lançamento de 50 balões verdes e amarelos (sinal de esperança no regresso da filha) na Praia da Luz.

No aeroporto em Genebra (Suíça) é mobilizado um importante dispositivo policial depois de duas testemunhas terem afirmado ter visto Madeleine.

28 junho: Um homem de nacionalidade italiana e uma cidadã portuguesa são detidos em Cádiz (Espanha), por tentativa de extorsão ao casal McCann. As autoridades portuguesas tinham sido contactadas por uma advogada a quem o italiano teria dito que sabia onde estava a criança.

6 julho: É detido na Holanda um homem por alegada tentativa de extorsão da família McCann.

10 julho: Robert Murat, único arguido no caso, volta a ser ouvido no Departamento de Investigação Criminal (DIC) da PJ de Portimão.

23 julho: Gerry McCann desloca-se aos EUA para encontros e contactos com instituições de combate ao abuso de crianças.

28 julho: Uma psicóloga diz ter visto Madeleine, acompanhada de dois adultos, numa esplanada em Tongres, localidade no norte da Bélgica, perto da fronteira com a Holanda. Foi recolhida para análise uma garrafa por onde a menina teria bebido, mas a pista viria a revelar-se falsa.

31 julho: A PJ, elementos da Polícia britânica e dois cães, especialistas em detetar sangue e odores a cadáver, inspecionam apartamento de onde a menina desapareceu.

4 agosto: Inspetores da PJ, dois polícias britânicos, dois cães, elementos da Proteção Civil Municipal de Lagos e trabalhadores camarários entram na casa de Robert Murat (Casa Liliana), onde efetuam buscas. O porta-voz da PJ para o caso, Olegário Sousa, revela que as diligências são para confirmar ou anular indícios.

6 agosto: PJ faz perícias aos veículos de Robert Murat, no parque de estacionamento subterrâneo em Portimão.

7 agosto: Porta-voz da PJ para o caso admite probabilidade de novas inquirições de pessoas envolvidas no processo, escusando-se a revelar em que qualidade (testemunhas ou suspeitos), remetendo para o resultado das perícias realizadas.

10 agosto: O diretor nacional da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro, afirmou que o caso está longe de ser esclarecido, apesar de terem surgido novos elementos na investigação.

11 agosto: A PJ admite que Madeleine possa estar morta. Numa entrevista à BBC, o porta-voz da PJ para o caso admitiu a morte da criança com base em pistas encontradas.

6 setembro: Kate McCann é inquirida na PJ de Portimão durante 11 horas.

7 setembro: O casal McCann volta a ser ouvido no DIC de Portimão e são constituídos arguidos.

10 setembro: O diretor nacional da PJ, Alípio Ribeiro, afirmou no programa Prós e Contras, na RTP1, que os resultados das análises aos vestígios recolhidos não garantem que o sangue pertença a Madeleine, mas admite que permitem direcionar as investigações.

11 setembro: O relatório preliminar da PJ sobre o desaparecimento da menina é entregue ao Ministério Público (MP), em Portimão, que o remeteu ao juiz de instrução criminal.

12 setembro: O casal McCann pondera contratar especialistas forenses independentes para analisar o carro alugado (Renault Scénic) que utilizaram em Portugal e que, segundo um amigo da família, está guardado "num lugar seguro".

2 outubro: O titular do processo "Maddie" e coordenador da PJ de Portimão, Gonçalo Amaral, em declarações ao Diário de Notícias, critica a Polícia britânica, por "andar a fazer o que o casal [McCann] queria", poucos dias depois foi demitido de funções e afastado do processo da menina inglesa.

8 outubro: Paulo Rebelo, com carreira no combate à droga e na diretoria de Lisboa da PJ, é anunciado como substituto de Gonçalo Amaral à frente do DIC de Portimão e da investigação sobre o desaparecimento de Madeleine.

9 outubro: A imprensa inglesa cita fontes dos laboratórios de ciências forenses de Birmingham que revelam que os últimos resultados das análises ali efetuadas mostram que a polícia portuguesa agiu corretamente ao considerar Kate e Gerry McCann como arguidos no desaparecimento da sua filha.

2008

11 janeiro: O Ministério Público (MP) pediu o alargamento do prazo do segredo de justiça do processo por mais três meses.

2 fevereiro: O diretor da Polícia Judiciária admitiu que poderá ter havido "precipitação" na constituição como arguidos dos pais da criança.

3 fevereiro: A polícia inglesa recebe as cartas rogatórias com os pedidos da PJ para inquirir os amigos do casal que passavam férias na Praia da Luz no dia do desaparecimento da menina.

O porta-voz dos McCann, sustenta que deve ser retirado o estatuto de arguidos ao casal, depois de o diretor da PJ, Alípio Ribeiro, ter admitido que “houve precipitação” ao constituí-los arguidos.

13 fevereiro: O ministro da Justiça, Alberto Costa, afirmou perante a primeira Comissão Parlamentar que o processo "não foi afetado" pelas declarações do diretor da PJ sobre a constituição de arguidos do casal McCann.

19 março: A PJ devolveu os bens apreendidos a Robert Murat.

Dois jornais britânicos pedem publicamente desculpas ao casal McCann, reconhecendo que se enganaram ao sugerirem que eram culpados. "Kate e Gerry McCann: Desculpem", eram títulos da primeira página dos jornais The Daily Express e The Daily Star.

8 abril: Um dia depois da sua chegada a Inglaterra, três inspetores da PJ e da polícia britânica iniciam as inquirições aos amigos do casal McCann que estiveram na Praia da Luz.

10 abril: Casal McCann reúne-se em Bruxelas com um grupo de eurodeputados a propósito da criação de uma rede europeia de alerta para crianças desaparecidas.

13 abril: Robert Murat pede indemnizações por difamação, a vários órgãos de comunicação social britânicos, revela o jornal The Observer. Murat quer processar 11 jornais britânicos e o canal de televisão Sky News por difamação, num processo que lhe pode render mais de dois milhões de libras (2,5 milhões de euros).

24 abril: Gonçalo Amaral solicitou a pré-reforma após 38 anos de serviço, para "recuperar a liberdade de expressão". O advogado de Gonçalo Amaral declara que o inspetor que liderou o 'caso Maddie' vai lançar este ano um livro onde irá desvendar “pormenores sobre a investigação” relacionada com o desaparecimento da menina inglesa.

30 junho: Último dia de trabalho de Gonçalo Amaral na PJ de Faro, altura em que declara que o seu afastamento da investigação foi "até perigoso".

17 junho: O primeiro arguido do caso Maddie, Robert Murat, vai receber cerca de 800 mil euros de jornais britânicos que reconheceram ter publicado sobre ele notícias difamatórias e falsas.

21 julho: A Procuradoria-Geral da República, chefiada por Pinto Monteiro, anuncia o arquivamento do processo "por não se terem obtido provas da prática de qualquer crime".

21 dezembro: Os pais de Madeleine McCann lançaram mais um pedido de ajuda que acompanha um vídeo onde se vê a criança inglesa a brincar com os irmãos, na casa em Rothley, centro de Inglaterra, em dezembro de 2006. "O Natal é uma época para as crianças. Por favor ajudem-nos a recuperar a nossa filha", apelam os pais Kate e Gerry McCann na mensagem que acompanha as imagens.

2009

9 setembro: O Tribunal Cível de Lisboa proibiu a venda do livro “A Verdade da Mentira” de Gonçalo Amaralm, após uma providência cautelar.

A família McCann exige o pagamento de uma indemnização de pelo menos 1,2 milhões de euros ao ex-inspetor da PJ pelas suas declarações consideradas difamatórias a propósito do desaparecimento de Madeleine.

23 setembro: Kate e Gerry McCann afirmaram em Lisboa que voltaram a Portugal para "encontrar novas pistas e uma estratégia que permita maximizar a procura" da sua filha Madeleine, que desapareceu há mais de dois anos no Algarve.

O casal lembra que houve dois processos judiciais que concluíram que "não há evidências de que Maddie esteja morta ou que eles estejam, de alguma maneira, implicados na sua morte".

12 dezembro: O casal inglês esteve na Praia da Luz a visitar amigos e a igreja de Nossa Senhora da Luz, santuário onde admitem sentirem-se “mais próximos de Madeleine”, que continua desaparecida.

“Embora a nossa dor seja mais viva aqui, é reconfortante ao mesmo tempo porque nos sentimos mais próximos da Madeleine”, refere um comunicado colocado no sítio da Internet “Find Madeleine”.

2010

12 janeiro: A providência cautelar da proibição de venda do livro de Gonçalo Amaral “Maddie - A Verdade da Mentira” começa a ser julgada no Tribunal Cível de Lisboa, com o casal McCann a expressar confiança e o ex-inspetor da PJ a pedir “que se faça justiça”.

19 outubro: O Tribunal da Relação anulou a proibição de venda do livro de Gonçalo Amaral.

5 novembro: O casal McCann recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça da decisão da Relação em anular a proibição de venda do livro do “Maddie – A Verdade da Mentira”.

2011

12 maio - A mãe de Madeleine McCann apresentou em Londres um livro com o nome da filha, obra que estará à venda em Portugal a partir de 23 de Maio, em que Kate McCann revelou tendências suicidas e ainda uma profunda depressão.

2012

25 abril: A Scotland Yard diz que tem provas que sugerem que Maddie pode estar viva e anuncia que vai propor às autoridades portuguesas a reabertura da investigação do caso.

2 maio - Em conferência de imprensa em Londres, os pais de Madeleine McCann dizem esperar que a investigação portuguesa ao desaparecimento da filha seja reaberta para tentar colocar fim ao mistério.

26 abril: O livro "A Verdade da Mentira" foi devolvido à Guerra e Paz Editores, depois ter sido retirado do mercado em setembro de 2009 por decisão judicial, em processo interposto pelos pais de Madeleine McCann.

2013

4 julho: A polícia britânica informou que abriu uma investigação ao desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann em Portugal e que identificou 38 “pessoas com interesse” para serem ouvidas em toda a Europa. Doze delas são nacionais do Reino Unido que estariam em Portugal na altura em que Madeleine desapareceu”, disse o inspetor Andy Redwood da Scotland Yard.

A polícia informou ainda num comunicado que quer ouvir as referidas 38 pessoas e que já está em negociações com os respetivos países.

24 outubro: O Ministério Público anunciou a reabertura do inquérito sobre o desaparecimento de Madeleine McCann. A reabertura do inquérito surge na sequência de proposta da PJ e atendendo à "apresentação de novos elementos". O caso é reaberto depois de uma equipa de investigadores da PJ do Porto ter reanalisado o desaparecimento da menina britânica a pente fino.

Os pais de Maddie manifestam-se "muito satisfeitos" com a reabertura oficial do inquérito em Portugal ao desaparecimento da filha e pedem respeito pela investigação policial.

2015

O Tribunal Cível de Lisboa condenou o ex-inspetor da PJ Gonçalo Amaral a pagar 500 mil euros aos pais de Madeleine McCann, por danos causados com a publicação do livro intitulado Maddie: A Verdade da Mentira, que defende o envolvimento do casal britânico no desaparecimento da filha e ocultação do cadáver.

O tribunal decretou ainda a proibição da venda e de novas edições do livro, proibindo ainda novas edições do DVD, assim como a venda dos direitos de autor do livro e do DVD.

2016

19 outubro: O Tribunal da Relação decidiu revogar a sentença do tribunal Cível de Lisboa que obrigava Gonçalo Amaral, o ex-inspetor da PJ que acusou os pais de Madeleine de estarem envolvidos no desaparecimento da criança, a pagar uma indemnização de 500 mil euros acrescidos de juros ao casal McCann.

2017

31 janeiro: O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a decisão da Relação em revogar o pagamento de uma indemnização de 500 mil euros por Gonçalo Amaral aos pais de Madeleine McCann.

Os juízes conselheiros do STJ entenderam que, "numa situação de conflito entre o direito à honra e o direito à liberdade de expressão, o critério da ponderação de interesses, actuando segundo o princípio da proporcionalidade e a especificidade do caso, aponta no sentido de ser a liberdade de expressão do réu (Gonçalo Amaral) credora de maior proteção".

23 abril: A Polícia Judiciária anunciou que vai continuar a investigar o desaparecimento de Madeleine McCann, tendo o diretor nacional adjunto, Pedro do Carmo, admitido que se trata de “um caso único na história da PJ e do país”.