O virologista Pedro Simas disse esta quarta-feira que a nova variante detetada na Índia não é um problema para a Europa e que o perigo para Portugal é nulo.

Em entrevista à TVI24, Simas explica que esta estirpe, que se destaca por ter uma chamada dupla mutação, “tem uma designação infeliz”, já que a mesma, à semelhança de outras variantes, tem vinte outras mutações, não só na proteína Spike (aquela que o vírus utiliza para chegar às células humanas).

É algo que é comum, mas dá ideia de que é duplamente perigosa”, refere o especialista.

A ausência de risco na Europa, segundo o virologista, não é verificado no país natal da estirpe, já que neste “há espaço para se disseminar”. “Houve uma explosão que coincidiu com o relaxamento das medidas”, sublinha.

Sobre o perigo de as novas variantes colocarem em causa a ação das vacinas, Simas destaca que, até agora, “ainda não apareceu nenhuma variante que incapacitasse a vacina, ou a tornasse menos eficaz”.

Não deverá afetar a capacidade protetora da vacina”, afirma, sublinhando que nunca surgiu uma estirpe em que o uso de máscaras, o distanciamento social, os testes e as vacinas não fossem eficazes no seu controlo.

Neste momento, sentencia, Portugal conseguiu controlar as variantes, “não são um problema”, explica, recorrendo ao exemplo de quando a estirpe britânica apareceu pela primeira vez em Portugal: “Quando a variante apareceu, começou a expandir-se em janeiro. Quando chegámos ao pico de infeções, (a estirpe) tinha menos de 25% de prevalência”.

Não foi por ela que chegámos ao pico. E depois, só em fevereiro é que começou a assumir a sua prevalência, mas, nessa altura, nós estávamos já em franca descida”.

Simas avalia também positivamente as medidas de desconfinamento e afirma sem dúvidas de que este é o momento de desconfinar, especialmente porque as aberturas que Portugal tem enfrentado têm sido acompanhadas por níveis de infeções baixos. Uma realidade explicada pelo “comportamento exemplar” da população.

Em todo o lado se vê máscaras a serem usadas e os avanços são ainda maiores com a construção da imunidade com a vacina”.

Mesmo nos países da União Europeia em que existe um acréscimo de infeções, as vacinas têm deixado a sua marca vincada. É que, diz o virologista, “os mortos continuam a baixar”. A descida da mortalidade e o avanço da imunização é mesmo aquilo que leva Pedro Simas a apostar no fim do Estado de Emergência: “Acho que não há problema se subir o número de infeções porque temos os grupos de risco vacinados”.

Podemos olhar com tranquilidade. É altura de desconfinar”, afirma.