Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras Energia e Atividades do Ambiente do Norte (SITE-Norte) vai impugnar o despedimento coletivo de 98 trabalhadores da Tegopi, empresa de Vila Nova de Gaia, e exigir indemnizações, anunciou esta quinta-feira o advogado.

O despedimento coletivo tinha de ter um pré-aviso de 75 dias e uma série de diligências, mas os trabalhadores foram apanhados de surpresa. Portanto, este despedimento vai ser contestado e vai ser reclamada compensação económica", disse o advogado do SITE-Norte, Rui Martins.

A Tegopi, empresa de fabrico de torres eólicas localizada em Vilar do Paraíso, em Vila Nova de Gaia, emprega cerca de 200 trabalhadores, mas na sexta-feira a administração afixou uma folha com o nome de 98 trabalhadores a dispensar desde segunda-feira.

Esta manhã, no Tribunal do Comércio, numa sessão longa e com muitas intervenções, e que juntou na assistência mais de uma centena de trabalhadores, foi votada e decidida a liquidação da empresa, mas esta manter-se-á aberta com 85 trabalhadores.

Sobre o despedimento dos 98, Rui Martins frisou, em declarações aos jornalistas à saída do tribunal, que este foi "ilícito" e "vai ser impugnado".

E em vez de reclamarmos com base nos valores de 12 dias de indemnização por cada ano, vamos reclamar 45 dias de indemnização por cada ano. Por ser um despedimento ilícito não se aplica essa forma resultante da 'Troika' e do senhor Passos Coelho e, portanto, vamos aplicar o Código de Trabalho", disse Rui Martins, depois de se dirigir aos trabalhadores dispensados, aos quais aconselhou que entreguem os papéis para o subsídio de desemprego, mas aguardem que o sindicato faça novas contas antes de avançarem com os pedidos para o fundo de garantia salarial.

Também esta manhã, na assembleia de credores na qual não compareceu nenhum representante da Tegopi, o administrador de insolvência, António Dias Seabra, contou que foi contactado por um novo investidor, o Grupo Pinto Brasil, com sede em Guimarães, no distrito de Braga, razão pela qual pediu dias para analisar a tesouraria da empresa e negociar com o novo interessado.

Fui contactado por um novo investidor, o Pinto Brasil, que poderás viabilizar parte da empresa. Proponho a liquidação da empresa salvaguardando partes", disse o administrador de insolvência que viu aprovada a sua sugestão sob a figura jurídica "liquidação da empresa com manutenção do estabelecimento".

 

Se for possível numa empresa de 200 trabalhadores, 80 manterem-se a trabalhar, é evidente que o sindicato defende isso. Vamos ver se é exequível e se o tal investidor aparece e concretiza a proposta. Os trabalhadores mantêm o elo de ligação e o contrato de trabalho subsiste. Não vamos admitir que seja feito um novo contrato", considerou o advogado do SITE-Norte, já à margem da conversa com os trabalhadores.

A manhã ficou marcada por muita emotividade na entrada do tribunal de Gaia, com trabalhadores que foram dispensados a desejarem "sorte" aos que se manterão em funções e vice-versa, algumas lágrimas e muitos abraços.

José Silva, um dos que não viu o seu nome na lista afixada na sexta-feira na cantina da empresa, disse que "a esperança é sempre a última a morrer", mas confessou estar "triste".

Vamos ver os desenvolvimentos que a empresa terá na próxima semana e esperemos que o tal grupo que está para aparecer faça alguma coisa por quem fica. Infelizmente, ao mesmo tempo, temos colegas com os quais lidamos tantos anos e temos de os ver partir", disse.

Já Leandro Silva, que também é um dos que mantém o trabalho, aproveitou para fazer um apelo: "Custa muito ver os colegas a ir embora. Esta é uma empresa forte em Vila Nova de Gaia. O Governo devia incentivar o trabalho no setor das torres eólicas porque temos mão de obra muito, muito, muito boa em Portugal. Não podem deixar que a empresa esmoreça", referiu.

Por fim, em declarações à agência Lusa, Adão Ferreira, que até aqui fazia parte da Comissão de Trabalhadores da Tegopi, mas é um dos funcionários dispensados, considerou que "o futuro de todos está em causa".

Preocupa-nos os que ficam porque é uma incógnita. Falta saber se mantêm a antiguidade e os direitos e preocupa-nos quem sai depois de dar a vida por esta empresa. A Tegopi tem pessoas paradas desde março e podia ter feito as coisas de forma diferente. Esta administração fez tudo à revelia do administrador de insolvência e dos trabalhadores", criticou Adão Ferreira.