Um camião que transportava 24 mil litros de acetona despistou-se esta segunda-feira no IC8, entre Pedrógão e a Sertã, junto à barragem do Cabril. 

O despiste, que causou derrame de acetona na via, ocorreu às 10:03, ao quilómetro 93.1, na zona da Ponte do Cabril.

Não há feridos a registar em resultado do acidente. O motorista do camião chegou a ser assistido no local, mas apenas por precaução.

O trânsito está interrompido em ambos os sentidos entre os nós de Pedrógão Pequeno e Pedrógão Grande, confirmou à TVI fonte do CDOS de Castelo Branco.

Em alternativa, o trânsito está a ser desviado para a Estrada Nacional 2.

Para já, ainda não há previsão quanto à reabertura do IC8, uma vez que os trabalhos para a limpeza da via e remoção do veículo ainda vão demorar "algum tempo".

Às 12:15, no local estavam 22 operacionais, auxiliados por 9 viaturas.

Ambientalistas temem contaminação do Zêzere

O derrame de 24 mil de litros de acetona, na ponte do Cabril, está a preocupar os ambientalistas que temem contaminação das captações de água do rio Zêzere.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a associação ambientalista Quercus explica que o derrame dos 24 mil litros de acetona, "líquido inflamável e irritante", "caso chegue ao rio Zêzere, poderá contaminar as captações de água do rio".

A Quercus teme que a proximidade do local do acidente com pontos de captação de água para consumo humano possa tornar esta situação muito preocupante, dado que a qualidade da água para consumo humano fica posta em causa", lê-se na nota.

Os ambientalistas alertam que, para além de causar irritação nos olhos e queimaduras químicas, a acetona pode provocar irritações e dermatites em contacto com a pele ou irritação das mucosas, náuseas, vertigens, dor-de-cabeça, mal-estar e perda de consciência, quando inalados.

Adiantam ainda que, caso o derrame de acetona atinja o solo, dado tratar-se de uma zona de floresta, poderá contaminá-lo, pelo que apelam à sua descontaminação.

Caso o derrame de acetona atinja o rio, dado que aconteceu numa ponte, também será prejudicial para a flora e fauna local, podendo inclusive ser tóxico para algumas espécies de peixes, levando-os à morte", sublinham.

A Quercus alerta ainda que, como último cenário, a contaminação pode atingir as captações de água, desde a albufeira da Bouça, até a Castelo do Bode, pelo que espera que as autoridades "adotem medidas céleres para a contenção do derrame prevenindo qualquer situação mais gravosa".

Segundo os ambientalistas, um derrame deste tipo de substância inflamável "poderá criar uma situação de risco, dado que reduz a concentração de oxigénio no ar, tornando o ambiente asfixiante e extremamente explosivo, pelo que a prevenção de incêndio deverá ser ativada".

Os resíduos resultantes da limpeza do derrame são resíduos perigosos, pelo que devem ser encaminhados posteriormente para um dos Centros Integrados de Valorização de Resíduos Perigosos (CIRVER), ambos situados na Chamusca.