O interrogatório a Bruno de Carvalho e a Mustafá terminou, no Tribunal do Barreiro, esta quarta-feira, cerca das 18:00. Ambos os arguidos terão colaborado com a justiça e quiseram falar. Primeiro terá falado Mustafá, depois de almoço, durante cerca de uma hora e meia a duas horas, e só depois foi interrogado Bruno de Carvalho. O interrogatório ao presidente do Sporting terá começado depois das 16:00.

As medidas de coação devem, contudo, só ser conhecidas esta quinta-feira, pelas 10:00.

A leitura da decisão de aplicação das medidas de coação, porque se reveste de complexidade e obriga a uma ponderação que não se compadece com o facto de o tribunal se encontrar, há mais de seis horas, debruçado sobre a matéria em causa e pretende, agora como em todos os casos, decidir em consciência com base na matéria de facto e de direito aplicável, com o assentimento de todos os presentes", pode ler-se no comunicado divulgado pelo Juízo de Instrução Criminal do Barreiro.

Os arguidos devem assim voltar a pernoitar nas mesmas celas da GNR onde estão detidos desde domingo. Mustafá deverá assim voltar a passar a noite na GNR do Montijo e Bruno de Carvalho na GNR de Alcochete. 

Bruno de Carvalho e Mustafá foram detidos no domingo, com base em mandados de detenção emitidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

O ex-presidente do Sporting, detido nas instalações da GNR de Alcochete, está indiciado por 56 crimes: dois crimes de dano com violência, 20 crimes de sequestro, um crime de terrorismo, 12 crimes de ofensa à integridade física qualificada, um crime de detenção de arma proíbida e 20 crimes de ameaça agravada.

Mustafá também é suspeito de instigar o ataque à Academia.

Em 15 de maio, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram alguns jogadores, membros da equipa técnica e outros funcionários.

A GNR deteve no próprio dia 23 pessoas e efetuou posteriormente mais detenções, que elevaram para 38 o número de detidos, todos em prisão preventiva, entre os quais está o antigo líder da Juventude Leonina Fernando Mendes.

Do ataque resultou o pedido de rescisão de nove futebolistas, alegando justa causa - alguns dos quais recuaram na decisão -, e levou à constituição de 38 arguidos, suspeitos da prática de diversos crimes, designadamente, terrorismo, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada, sequestro e dano com violência.

Bruno de Carvalho, que à data dos acontecimentos liderava o clube de Alvalade, foi destituído em 23 de junho e impedido de concorrer às eleições para a presidência do clube, das quais resultou a eleição de Frederico Varandas, atual presidente do Sporting.