Foram detidos três homens suspeitos de atearem o incêndio que, no mês de março, provocou a morte a uma pessoa num prédio do Porto, na Rua Alexandre Braga. A vítima, de 55 anos, era um inquilino do prédio incendiado, que ali vivia com a mãe, octogenária, e um irmão. Um dos detidos é o proprietário do prédio, de nacionalidade chinesa, sabe a TVI.

A PJ informa em comunicado que "identificou e deteve, fora de flagrante delito, os presumíveis autores de dois incêndios dolosos ateados numa residência integrante de um prédio, sito na baixa do Porto. Os fogos terão sido provocados pelos detidos, com recurso a um produto acelerante de combustão, em duas datas distintas, tendo o segundo assumido proporções muito graves que vieram a provocar a morte de um dos residentes"

De acordo com a mesma nota, os suspeitos teriam, dias antes, "provocado uma ignição no mesmo prédio". Porém, "esta não teve desenvolvimento, por razões alheias à sua vontade", explica o comunicado. "Para além da morte do inquilino e de ferimentos e intoxicação por inalação de fumo em vizinhos, a residência ficou destruída e a estrutura do edifício, à data em trabalhos de requalificação, ficou seriamente danificada e, não fora a pronta intervenção dos Bombeiros Sapadores do Porto, poderia ter provocado a destruição dos prédios confinantes, de natureza comercial e habitacional".

A PJ informa que os detidos têm entre os 20 e os 40 anos e dois têm nacionalidade portuguesa e antecedentes criminais. Serão ainda presentes a tribunal, para lhes serem aplicadas as medidas de coação. "Após inúmeras diligências de investigação, que incluíram várias inspeções realizadas por peritos de incêndios, a Polícia Judiciária coligiu matéria probatória que conduziu às detenções, buscas e apreensão de diversos bens e equipamentos relacionados com estes factos", acrescenta o comunicado.

A TVI sabe que um dos detidos é o proprietário do prédio, de nacionalidade chinesa, e que em causa estão interesses de especulação imobiliária.

O fogo no prédio da Rua Alexandre Braga deflagrou na madrugada do dia 2 de março, num prédio de habitação de quatro andares na Rua Alexandre Braga. Além da vítima mortal, cinco pessoas tiveram de ser hospitalizadas por inalação de fumo e o prédio ficou totalmente destruído. Na alturam, os residentes denunciaram que já tinham pedido auxílio às autoridades por receberem ameaças de morte: recusaram rescincir contrato de arrendamento depois de o imóvel ter sido adquirido por investidores chineses.