A maioria das reclusas estrangeiras no Norte de Portugal (85 por cento) cumpre prisão por envolvimento em tráfico de droga e tem estudos secundários (40,4 por cento), segundo dados preliminares de um estudo, que foram apresentados esta sexta-feira na Maia, escreve a Lusa.

As conclusões foram extraídas por Raquel Matos, responsável pela área de Psicologia da Justiça na Universidade Católica do Porto, e apoiam-se numa amostra de 54 reclusas não portuguesas detidas em cadeias nortenhas.

A amostra indica ainda que as reclusas estrangeiras têm, em média, 36,5 anos de idade e que 29,6 por cento beneficiam de apoio psicoterapêutico.

Só quatro por cento das estrangeiras presas em Portugal tinham antecedentes criminais.

Raquel Matos apresentou destes dados no âmbito de comunicação sobre «Criminalidade e reclusão de mulheres em Portugal: a nacionalidade como pano de fundo», no primeiro de dois dias do III Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Psicologia da Justiça.

O congresso, que arrancou com uma mesa redonda sobre «Crime e Saúde Mental», prossegue sábado com a abordagem de temas como «Biologia do Comportamento Criminal», «Avaliação em Psicologia Forense», «Perfis Criminais» e «Urbanismo, Demografia e Criminalidade».

«Com este congresso, pretendemos contribuir para a melhor formação dos especialistas», explicou o presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Psicologia da Justiça, Fernando Almeida, que sublinhou a «importância» da troca de saberes e conhecimento entre profissionais da área.
Redação / PP