Uma reportagem da TVI mostra documentos, fotografias e filmagens que revelam a dramática realidade escondida no Hospital Conde de Ferreira, que nasceu como hospital psiquiátrico mas que, hoje, recebe outro tipo de doentes. Há suspeitas de maus-tratos e negligência médica e a Procuradoria-Geral da República confirmou a abertura de um inquérito, ainda sem arguidos constituídos.

O assunto foi analisado no programa "Deus e o Diabo",  no Jornal das 8, e José Eduardo Moniz confessou-se "chocado" com as imagens. "Não acho normal acontecerem maus-tratos destes num hospital em pleno século XXI", afirmou.

A diretora clínica do centro hospitalar esteve no programa e defendeu que as fotografias que mostram, por exemplo, doentes acamados com úlceras de pressão profundas e doentes psiquiátricos colocados em isolamento apenas com um colchão no chão, foram "descontextualizadas".

Há imagens que descontextualizadas da realidade têm um impacto completamente diferente", referiu Rosa Gonçalves.

A médica afirmou que "o facto de haver úlceras de pressão não é uma questão de negligência". "Elas são tratadas, mas mesmo assim podem evoluir para situações mais complicadas", acrescentou.

Quanto ao facto de haver doentes que são colocados em quartos de isolamento, apenas com um colchão no chão, Rosa Gonçalves explicou que se trata de "uma situação temporária". 

Os doentes são lá colocados quando têm perigo para si próprios ou para terceiros. Não podem ter objetos com que podem mutilar-se por perto", justificou.

A diretora clínica do hospital Conde de Ferreira diz ter uma equipa "fantástica", que está a aguardar "serenamente" a averiguação da Procuradoria Geral da República.

 

"Desapareceram 10 mil milhões de euros do radar do Fisco"

Outro dos temas da atualidade analisados no programa "Deus e o Diabo" desta sexta-feira foi a dívida de milhões de euros do empresário Joe Berardo à banca. Esta semana, foi conhecido que o empresário não tem bens no seu nome, excetuando uma garagem.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, Paulo Ralha, foi convidado de José Eduardo Moniz e afirmou que é necessário ter em conta também os sinais exteriores de riqueza.

Hoje em dia os sinais exteriores de riqueza não são analisados como eram há cinco ou dez anos", alertou.

O sindicalista falou também da atuação da Unidade dos Grandes Contribuintes. O sindicalista revelou que a maior parte das pessoas que aparecem na lista dessa unidade especial do Fisco "são cônjuges de quem já estava neste sistema", sendo que, muitas vezes, "essas pessoas fazem a declaração de rendimentos em conjunto".

E há muito mais gente do que esta que é referida aqui", alertou.

Paulo Ralha destacou ainda que houve um "apagão" nas Finanças. "Desapareceram 10 mil milhões de euros do radar do Fisco. E sabemos que, dentro desses 10 mil milhões, três mil milhões, por coincidência, eram do universo BES", explicou.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos referiu que o sistema fiscal está preparado para "apanhar a maior parte das situações que estão dentro do sistema". Contudo, "o grande desafio que a Autoridade Tributária tem, não só em Portugal como no resto da Europa, é detetar quem está fora do sistema".

Se tivermos em conta que o Observatório de Gestão da Crise e Corrupção diz que temos 30% de corrupção paralela no país, percebemos que há muito dinheiro por fora, a fugir aos impostos", alertou.