O presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo, revelou esta quarta-feira na conferência de imprensa de balanço da pandemia de Covid-19 em Portugal que a dexametasona poderá estar já a ser usada no tratamento de doentes com Covid-19 em estado grave

Estamos a falar de um medicamento que está autorizado há muitos anos, desde os anos 60, e de utilização comum em várias situações, nomeadamente pelas suas características anti-inflamatórias", explicou Rui Santos Ivo. "Não estamos a falar de um antiretroviral", acrescentou. 

O presidente do Infarmed ressalvou ainda que Portugal está a acompanhar a investigação científica que indica que a dexametasona pode tratar casos graves da doença mas que os resultados agora publicados são preliminares e que, portanto, será aguardada a sua publicação e análise.

Os nossos profissionais de saúde poderão, em situações que considerem adequado, utilizar este medicamento", revelou o presidente do Infarmed, por se tratar de um fármaco amplamente disponível em Portugal.

Rui Santos Ivo revelou ainda que, nos primeiros quatro meses do ano, foram usadas em Portugal 200 mil unidades deste medicamento, que é comercializado por várias empresas no nosso país.

O presidente do Infarmed quis, porém, reforçar a "mensagem de prudência" em relação ao efeito deste medicamento. "Devemos aguardar pela análise para conhecermos em detalhe examente quais as condições que devem ser consideradas", frisou Santos Ivo. "Admito que sim, que possa estar a ser utilizado", acrescentou.

A dexametasona é um medicamento comum. Não se dirige especificamente à infeção por covid. O que demonstraram estes estudos, cujos primeiros dados foram divulgados, foi que, em doentes ventilados ou a precisar de oxigénio, com situações inflamatórias mais graves, há um efeito reduzido de mortalidade. É neste tipo de situação que parece que a dexametasona vai ser boa. O medicamento está em utilização no Serviço Nacional de Saúde”, afirmou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou na segunda-feira que a utilização de dexametasona, medicamento da família dos esteroides, que reduziu significativamente a mortalidade em pacientes seriamente afetados pelo novo coronavírus é um “avanço científico” na luta contra a pandemia.

Lisboa e Vale do Tejo continua a concentrar maior atenção

Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a região do país que “concentra maior atenção” das autoridades de saúde, disse esta quarta-feira o secretário de Estado António Lacerda Sales, ao fazer um balanço da pandemia de Covid-19 em Portugal.

Atualmente, a região de Lisboa e Vale do Tejo representa cerca de 40% do total de testes feitos por dia em Portugal”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, referindo que a maior parte dos novos casos se verifica nesta zona.

A maioria dos doentes, acrescentou, tem sintomas ligeiros, que permitem cuidados em casa, mas é natural que se verifique “um ligeiro aumento” dos internamentos.

De 1 a 16 de junho, registou-se um acumulado de 4.153 novos casos em Lisboa e Vale do Tejo, o que, apesar de tudo, se traduziu numa redução dos doentes em enfermaria de 6% e num aumento de doentes em cuidados intensivos de 7%”, especificou.

Os números encontram-se “dentro do expectável” e não representam “uma sobrecarga dos serviços de saúde”, segundo o governante.

Lacerda Sales disse ainda que a prescrição de tratamentos termais no Serviço Nacional de Saúde (SNS) ficará disponível durante o dia de hoje.

No país, registam-se neste momento 12.569 casos ativos de covid-19, indicou.

Desde março até ontem (terça-feira), foram confirmados 37.672 casos de covid-19 em Portugal.

Desde o dia 9 de março, foram transferidos mais de 5.300 doentes dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde para as unidades da rede nacional de cuidados continuados integrados e foram encontradas cerca de 550 respostas sociais, permitindo libertar camas hospitalares”, frisou o secretário de Estado.

António Lacerda Sales defendeu que o SNS está “a fazer o seu trabalho”, no sentido de garantir respostas Covid e não Covid adequadas às diferentes fases da pandemia.

DGS considera "precoce" falar de público em estádios na Liga dos Campeões

A diretora-geral da Saúde considerou hoje “precoce” admitir a presença de público nos estádios portugueses durante a ‘final a oito’ da Liga dos Campeões de futebol, que se vai realizar em Lisboa.

É precoce dizer [se haverá público]. O que quer que a Direção-Geral da Saúde [DGS] faça, fá-lo-á avaliando a situação especifica desta competição e em articulação com o parceiro que tem nessa avaliação, que é a Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Neste momento, é precoce dizer seja o que for”, afirmou Graça Freitas, na conferência de imprensa diária sobre a pandemia de covid-19.

A responsável respondia a uma pergunta sobre se a DGS perspetiva autorizar público nos estádios na principal competição europeia de clubes, cuja fase final foi esta quarta-feira atribuída a Portugal pelo Comité Executivo da UEFA.

Graça Freitas referiu ainda que cabe a “outras entidades” calcular a estimativa de visitantes ao país.

A responsável disse que “quantos mais visitantes forem melhor será para o país, mas desde que sejam cumpridas as regras” sanitárias.

Graça Freitas observou ainda que tem “a garantia da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), da FPF, e dos clubes envolvidos, mas sobretudo da FPF, de que os códigos de conduta e regras serão observados”.

A diretora-geral notou ainda que Portugal “é um país seguro” e que a região de Lisboa e Vale do Tejo tem registado um elevado número de casos de infeção pelo novo coronavírus porque a entidades estão “procurá-los ativamente”.

Um excelente exemplo da segurança do nosso país é a forma como o campeonato foi retomado. Um modelo que tão bem tem resultado com a FPF, também resultará com a ‘champions’”, afirmou.

O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, destacou que o envolvimento da DGS no plano de organização da prova, assinalando que “dá confiança aos organismos internacionais para trazer o evento” para Portugal.

Será uma boa decisão trazer a ‘champions’, com segurança, como tem acontecido com o campeonato nacional”, afirmou.

O Estádio da Luz e o Estádio José Alvalade, em Lisboa, vão receber a fase final da Liga dos Campeões futebol em agosto, em campos neutros e em apenas um jogo, anunciou hoje a UEFA.

A final estava prevista para o Estádio Olímpico Ataturk, em Istambul.

A edição de 2019/20 da ‘Champions’, que foi suspensa em março devido à pandemia de Covid-19, vai ser reatada com os restantes quatro jogos dos oitavos de final, seguindo-se o desfecho inédito em campos neutros, na Luz e em Alvalade.

Bárbara Cruz / Com Lusa