A Direção Geral de Saúde (DGS) anunciou, esta quinta-feira, que 327 dos óbitos por covid-19 dizem respeito a utentes que estavam em lares de idosos. Ainda assim, a diretora-geral de saúde, Graça Freitas, sublinhou que "estar num lar não é uma fatalidade" e que "a maior parte das pessoas que adoeceram nos lares estão hoje curadas". 

A percentagem em relação ao total de lares, em que foram declarados casos de contaminação e covid, é relativamente pequena", acrescentou Graça Freitas, na conferência de imprensa em que foi feito o ponto da situação da pandemia no país.

300 mil testes feitos desde 1 de março

De acordo com secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, também presente na conferência de imprensa, Portugal ultrapassou a barreira dos 300 mil testes realizados à doença covid-19. O governante sublinhou que este número é superior a países como a Noruega, a Suíça, a Itália e a Alemanha.

Portugal ultrapassou a barreira dos 300 mil testes realizados. Desde o dia 01 de março foram realizados cerca de 302 mil testes diagnóstico covid-19 no nosso país. Estamos a falar de uma testagem de 27.925 pessoas por milhão de habitantes, o que à data de hoje é superior a países como a Noruega, a Suíça, a Itália e a Alemanha", disse António Lacerda Sales.

Lacerda Sales acrescentou que cerca de 49% dos testes foram realizados em laboratórios públicos, 45% em laboratórios privados e 5% em outras instituições, nomeadamente académicas e militares.

Há também cada vez mais utentes inseridos na plataforma Trace Covid. Neste momento são já mais de 135 mil nesta ferramenta que permite o seguimento através de cuidados de saúde primários dos doentes ou pessoas suspeitas", disse.

2.300 doentes transferidos para os cuidados continuados

António Lacerda Sales também precisou que, "desde 09 de março, foram transferidos cerca de 2.300 doentes de hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para unidades da rede nacional de cuidados continuados integrados".

E que, no mesmo período foram encontradas 230 respostas sociais, o que permitiu "libertar camas hospitalares cruciais nesta altura de maior pressão do sistema".

Continuamos empenhados em garantir que o SNS continua a responder positivamente às diferentes fases da epidemia e o esforço de todos continua a ser tão determinante hoje como foi ontem", concluiu.

"Estamos a atingir o ponto de equilíbrio"

Sobre o abandamento das medidas de contenção, a diretora-geral de Saúde adiantou que a medição do R não é o único critério para decretar ou não o levantamento do Estado de Emergência. 

"´R´ é o número de pessoas que se infetam a partir de um caso infetado. Por exemplo, um ´R´ de 2,5 significa que cada pessoa infeta em média 2,5 pessoas. Um ´R´ abaixo de 1 significa que vão começar a descer os casos de contágio e a abrandar a curva. (...) Estamos com um ´R´ de cerca de 1. Nalgumas regiões acima de um, noutras regiões ligeiramente abaixo. Significa que estamos num ponto de equilíbrio", disse Graça Freitas. 

A DGS sublinhou que "evolução da pandemia, a capacidade de resposta do SNS e capacidade que temos de monitorizar" são os restantes critérios que podem levar ou não ao levantamento do estado de emergência.

Portugal regista hoje 820 mortos associados à covid-19, mais 35 do que na quarta-feira, e 22.353 infetados (mais 371), indica o boletim epidemiológico divulgado hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Comparando com os dados de quarta-feira, em que se registavam 785 mortos, hoje constatou-se um aumento percentual de 4,5%.

Relativamente ao número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus, os dados da DGS revelam que há mais 371 casos do que na terça-feira, representando uma subida de 1,7%.

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (475), seguida da região Centro (179), de Lisboa e Vale Tejo (146), do Algarve (11), dos Açores (8) e do Alentejo, que regista um morto, adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24:00 de quarta-feira.

Manuela Micael / Atualizada às 13:49