A ministra da Saúde defendeu, nesta quarta-feira, que a lotação da Festa do Avante!, organizada pelo PCP, terá, este ano, de ser inferior à capacidade máxima de 100 mil pessoas, por causa da Covid-19.

É evidente que estamos a falar, teremos de falar de outros números. Compreendo que se fale de um número de 100 mil, na medida do que será a licença de utilização, mas estamos num momento específico, num contexto específico”, sublinhou Marta Temido, na conferência de imprensa de balanço da situação epidemiológica no país.

No passado dia 4, a propósito da apresentação da Festa do Avante!, o PCP disse ter uma licença de utilização para 100.000 participantes, escusando-se, no entanto, a aprofundar quantos bilhetes iria colocar à disposição ou quantos foram já vendidos.

A ministra assegurou, porém, que à organização da Festa do Avante! "não será permitido o que está proibido nem proibido o que está permitido” e que “não haverá exceções” às regras adotadas pelas autoridades de saúde para conter a propagação do novo coronavírus.

“Ninguém entenderia que corrêssemos riscos adicionais por uma circunstância de tratamento especial, mas também ninguém entenderia que impuséssemos deveres adicionais àquilo que são as regras específicas com as quais temos estado a trabalhar em áreas como a restauração, os transportes públicos ou os eventos culturais”, salientou Marta Temido.

Na organização da Festa do Avante!, que além de iniciativa política inclui tradicionalmente concertos, exposições, debates, espaços de restauração e espaços de campismo, tem havido reuniões do PCP com técnicos da Direção-geral da Saúde.

Aquilo que procuraremos fazer, em termos técnicos, é a aferição das condições que o promotor do evento tem para cada uma dessas áreas face àquilo que são as regras definidas pela Direção-geral da Saúde”, indicou.

Marta Temido acrescentou, ainda, que o contexto específico para a realização da festa "será considerado e foi já considerado pelos promotores" no diálogo que mantêm desde segunda-feira com a DGS, quando se realizou a primeira reunião técnica entre as partes.

Em Portugal, a Covid-19 já causou 1.764 mortos e 53.223 infetados, de acordo com o boletim mais recente da DGS.

Portugal com 12.519 casos ativos e 161 surtos

Portugal tem, atualmente, 12.519 casos ativos de Covid-19 e 161 surtos, circunstâncias em que os casos ativos estão ligados a um fenómeno comum, anunciou hoje a ministra da Saúde.

Segundo Marta Temido, são 42 surtos na região Norte, um número que classifica como estável, 8 no Centro, 82 em Lisboa e Vale do Tejo, 13 no Alentejo e 16 no Algarve.

Relativamente ao aumento do número de casos na região Norte, a ministra da Saúde explicou que está relacionado com surtos registados numa área geográfica circunscrita ao agrupamento de Centros de Saúde da Povoa de Varzim e Vila do Conde, estando a situação a ser "acompanhada com cuidado".

Marta Temido indicou, ainda, que o país tem, neste momento, uma taxa de letalidade global de 3,3% e de letalidade acima dos 70 anos de 15,7%.

De acordo com a última informação transmitida pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, o índice de transmissibilidade (Rt) efetivo para os dias entre 3 e 7 de agosto está nos 0,99, no entanto, a ministra da Saúde, sublinhou que, apesar de estar abaixo de um, a tendência decrescente dos últimos dias voltou a sofrer uma ligeira inversão.

A taxa de incidência de novos casos dos últimos sete dias é de 13,4 por 100 mil habitantes e nos últimos 14 dias é de 25,4 por 100 mil habitantes, adiantou, também.

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