Marta Temido anunciou, esta terça-feira, na conferência diária sobre a situação epidemiológica em Portugal, que existem 13 surtos preocupantes nos concelhos de Lisboa, Loures, Odivelas, Amadora e Sintra.

Temos claramente 13 surtos identificados em freguesias destes concelhos", afirmou.

De acordo com a Ministra da Saúde, tratam-se de de casos registados nas freguesias de Arroios, Santo António, Encosta do Sol, Queluz e Belas, Águas Livres, Agualva, Mira-Sintra, Mina de Água e Rio de Mouro. 

Relativamente a esses cinco concelhos, gostava de deixar claro que concentram 90% dos nossos novos casos, concretamente, os novos casos que se identificaram ontem sendo que, também entre estes concelhos, a situação começa a estar mais controlada em alguns deles."

Referiu que, nos últimos 15 dias, o concelho de Lisboa é aquele com menor taxa de incidência, 37,85 por cada 100 mil habitantes, sendo o da Amadora o mais preocupante com 99,6. Os outros três concelhos têm uma taxa de 60 casos por cada 100 mil.

Em Sintra existem ainda cinco lares de idosos com casos de Covid-19 ativos. 

Governo nomeia Gabinete Regional de Intervenção para a Supressão da Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo

A governante anunciou a nomeação do Gabinete Regional de Intervenção para a Supressão da Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, coordenado pelo doutor Rui Portugal, médico de saúde pública da equipa de saúde desta região.

Nomeei ontem [terça-feira] o gabinete regional de intervenção para a supressão da Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, gabinete que é coordenado pelo doutor Rui Portugal, médico de saúde pública da equipa de saúde desta região, e que integrará todas as autoridades regionais e locais de saúde”, disse Marta Temido.

Assumindo que Lisboa e Vale do Tejo continua a merecer “o foco” do Governo, explicou que o gabinete tem por objetivo identificar precocemente os novos casos e cadeias de transmissão para acompanhar os surtos ativos e para, em cada momento, garantir a melhor informação para tomada de decisão.

Novas regras para a construção civil

Vai ser elaborada, até ao final da semana, uma norma específica de medidas de proteção de saúde pública para a área da construção civil. Uma delas já alterada tem que ver com as carrinhas privadas que faziam o transporte dos colaboradores. Existia uma norma que estabelecia que esses veículos só podiam ter dois terços da ocupação na região de Lisboa, sendo agora aplicada em todo o território nacional. 

O Conselho de Ministros decidiu que aquela regra definida para a Área Metropolitana de Lisboa, de que os veículos privados de transportes de trabalhadores têm uma lotação de dois terços e na sua utilização é obrigatório o uso de máscara, foi alargada ao território nacional”, afirmou Mariana Vieira da Silva na conferência de imprensa.

Esta decisão prende-se com o número de casos entre trabalhadores da construção civil, sublinhou.

Na preparação desta norma, a DGS garantiu que irá ouvir os parceiros e entidades que trabalham neste setor para que haja uma “atuação mais consistente e coerente”.

Entre 30 de maio e 6 de junho foram realizados 14.057 colheitas de amostras biológicas nos referidos concelhos e em áreas de atividades específicas e caracterizadas por grande rotatividade de trabalhadores, sobretudo construção civil, cadeias de abastecimento, transportes e distribuição, vincou.

Destes testes, 664 deram positivo, representando uma taxa de 5,3%, disse.

5,3% de casos positivos nas amostras recolhidas e 10% de casos positivos para aquilo que é a área da construção civil”, referiu Marta Temido.

Em Portugal, morreram 1.497 pessoas das 35.600 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

Cláudia Évora / Atualizada às 15:22