A região de Lisboa e Vale do Tejo registou esta terça-feira 90% dos novos casos de infeção por Covid-19. O número mais alto desde o dia 8 de maio. Questionado sobre a constante subida destes números, António Lacerda Sales disse que a estratégia passa agora pelo seguimento dos casos ativos e dos casos que estão em vigilância.

Referiu ainda que até à semana passada foi feita uma testagem maciça na região de Lisboa e Vale do Tejo e que a subida de novos casos também se deve a isso.

A estratégia que temos utilizado foi, até ao final da semana passada, de testagem massiva", disse o secretário de Estado da Saúde na conferência de imprensa diária sobre a situação epidemiológica em Portugal.

De 14 mil testes feitos, “estão processados 12.225 com 555 positivos, o que dá uma taxa de 4,53%”, indicou.

Na mesma linha, Graça Freitas acrescentou que já foram encontrados os focos, já foram testadas as pessoas e que agora "estamos na fase de isolar, acompanhar e que as pessoas colaborem nesse isolamento".

Foco na Azambuja está em resolução

Relativamente ao surto na Azambuja, a diretora-geral da Saúde garantiu que este está em resolução, que se trata de uma população muito jovem, com sintomas muito ligeiros e que tende a recuperar rapidamente.

O foco da Azambuja, que já teve um grande impacto e muitos casos ativos há duas, três semanas, neste momento é um foco que está em resolução”, afirmou.

Considerou que o foco de contágio “tenderá a extinguir-se” e neste momento “não está francamente ativo e a gerar novos casos, estão a sair do surto mais pessoas do que as que estão a entrar”.

Regresso de público aos jogos de futebol não está a ser equacionado

Questionada sobre se está a ser equacionada a hipótese de voltar a haver público nos jogos de futebol, Graça Freitas disse que essa não era uma das cartas em cima da mesa, pelo menos para já, notando que as decisões nesta matéria têm sido tomadas “em diálogo com a federação”.

Neste momento não está a ser equacionada a volta de público aos estádios durante, pelo menos, esta temporada. O que não quer dizer que se houver grandes alterações da situação epidemiológica isso não aconteça, mas não se perspetiva que haja uma alteração da decisão em relação ao futebol".

A responsável notou que a evolução da pandemia “depende dos ajuntamentos [de pessoas] e dos seus comportamentos”, sem esclarecer qual a diferença entre a presença de pessoas num estádio e numa sala de espetáculos, como aquela em que foi feita uma apresentação do humorista Bruno Nogueira.

Após a declaração de pandemia, em 11 de março, as competições desportivas de quase todas as modalidades foram disputadas sem público, adiadas – Jogos Olímpicos Tóquio2020, Euro2020 e Copa América -, suspensas, nos casos dos campeonatos nacionais e provas internacionais, ou mesmo canceladas.

Os campeonatos de futebol de França, Países Baixos, Bélgica e Escócia foram mesmo cancelados, enquanto outros países preparam o regresso à competição, com fortes restrições, como sucede em Inglaterra, Itália, Espanha e Portugal, cujo reinício da I Liga ocorreu na semana passada, com a realização da 25.ª jornada.

Abertura de centros comercias na segunda-feira

O Governo anunciou, após a reunião de Conselho de ministros, que uma das medidas aprovadas era a abertura dos centros comerciais já a partir da próxima segunda-feira. A diretora-geral da Saúde entendeu que estão reunidas as condições para avançar com esta medida.

Parece-me que estão criadas as condições para que possam abrir, porque já dissemos que neste momento a grande maioria dos casos que estarão positivos em Lisboa e Vale do Tejo, estão identificados. As autoridades de saúde, as autarquias, a Segurança Social e as forças de segurança têm trabalhado todas com estas pessoas, no sentido de as fazer entender o risco que podem constituir para a propagação da doença".

Reforçou que os centros comerciais vão abrir com regras muito restritas, nomeadamente na circulação de pessoas, e que se as regras e diretrizes forem respeitadas "não há grande risco de propagação da doença".

Há circuitos muito bem delimitados, se houver civismo e respeito para não haver ajuntamentos, não me parece que exista um risco muito grande de propagação [da doença]”, afirmou.

Nas últimas 24 horas, Portugal registou mais sete mortos e 421 novos casos de infeção por Covid-19, de acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela DGS.

Cláudia Évora / Atualizada às 15:10