A diretora-geral da Saúde (DGS), Graça Freitas, reforçou este sábado, numa conferência de imprensa sobre o novo coronavírus, que todos os casos suspeitos em Portugal deram negativo.

Todos os casos foram negativos para o novo coronavírus que origina a doença designada por Covid-19", esclareceu. 

No entanto, ressalvou que a DGS está à espera "de um caso positivo, mais tarde ou mais cedo, em Portugal".

Continuamos a validar casos como suspeitos. Durante esta noite enviámos para os hospitais mais casos e logo à tarde faremos o resumo do dia. e, portanto, a situação é esta e também quero transmitir que quando houver um caso positivo, porque nós estamos à espera que aconteça, mais tarde ou mais cedo em Portugal, e provavelmente até mais, obviamento comunicaremos de imediato", acrescentou. 

De acordo com o último boletim divulgado sexta-feira às 19:25, o número de casos suspeitos no país situa-se, por enquanto, nos 59.   

Graça Freitas disse ainda que os cenários não são previsões, são apenas cenários para se poder dar uma resposta: "um cenário serve para prever impacto em termos de quantos doente eu poderei ter num determinado período, quantas camas de hospital poderei ter ocupadas, quantas consultas"

Neste momento os cenários são muito mais favoráveis" e acrescentou "nós temos tido capacidade de tratar as nossas grandes epidemias de gripe e, de vez em quando, temos vírus da gripe muito agressivos".

Afastou a hipótese de o novo coronavírus vir a infetar um milhão de portugueses, já que os dados que existem neste momento vindos da China são “mais favoráveis”.

Afasto completamente. Já vamos no quarto cenário e os dados são cada vez mais favoráveis e o grau de incerteza é cada vez menor”, afirmou Graça Freitas, explicando que a hipótese de um milhão de portugueses poder vir a ser infetado tinha na base uma taxa de ataque para a gripe A, de 2009.

Contudo, disse, “a prova dos nove só será feita mesmo durante a própria epidemia”. O risco para a saúde pública em Portugal mantém-se moderado a elevado.

Admitindo a hipótese de poder surgir uma epidemia em Portugal, uma possibilidade que ganha cada vez mais força devido aos casos ocorridos em Itália, e que mudou o panorama da Europa, Graça Freitas afirmou que se desconhece qual será a pior semana de contágio, mas que os serviços de saúde estão prontos para dar resposta, existindo atualmente 12 hospitais de referência.

A pior semana ainda não sabemos, estamos sempre a comparar com a gripe. Quando o vírus se tornar epidémico teremos de observar como se comporta na fase inicial”, disse.

A diretora-geral da Saúde disse que não há necessidade de "ir a correr à procura de máscaras" e relembrou que estas não são para ser utilizadas pela população em geral, mas sim pelos doentes. Mas insistiu nas medidas de autoproteção, como lavar as mãos com frequência com água e sabão, não tossir para as mãos, nem a menos de um metro de outra pessoa.

Confessou que tem sido alvo de várias críticas por ter alertado para a contenção de beijos e abraços, mas alertou que quando se tem uma epidemia os comportamentos têm de ser diferentes. 

As pessoas tem-me criticado muito por causa dos beijinhos, se damos se não damos, se estivermos em epidemia convém que não demos. Sinceramente, eu prefiro não dar"

O Covid-19, detetado em dezembro na China e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou perto de três mil mortos e infetou mais de 83 mil pessoas, de acordo com dados reportados por meia centena de países e territórios.

Além de 2.835 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França, Hong Kong e Taiwan.

Dois portugueses tripulantes de um navio de cruzeiros encontram-se hospitalizados no Japão, com confirmação de infeção.

A Organização Mundial de Saúde declarou o surto do Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e alertou para uma eventual pandemia, após um aumento repentino de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.

Cláudia Évora