A Direção-Geral da Saúde e o Ministério da Saúde fizeram este domingo o balanço da situação de Covid-19 em Portugal. Pelas vozes de Graça Freitas e Marta Temido, foi anunciado que a taxa de letalidade é de 2,6%, tendo em conta o último boletim.

A ministra vincou o facto de grande parte dos óbitos se registar em idosos, destacando também que mais de 85% dos casos confirmados estão a ser acompanhados em suas casas. O aumento de casos internados, bem como a subida de doentes em unidades cuidados intensivos significa, segundo Marta Temido, que a "pressão sobre o internamento hospitalar está a crescer"

Perante estes dados, a tutelar da pasta da Saúde afirmou que existe uma necessidade de reforçar este tipo de unidades.

Aqui, Marta Temido referiu que, no início de março, o SNS tinha identificado uma capacidade instalada de 1.142 ventiladores, que estariam destinados a doentes de Covid-19 adultos. Com a realização de duas operações identificadas pela tutelar da pasta da Saúde, foram recuperados vários ventiladores que não estavam a ser utilizados.

No total, Portugal conseguiu comprar 1.151 ventiladores, aos quais se juntam 247 ventiladores doados e 140 aparelhos emprestados.

O reforço da capacidade instalada atinge assim os 1.538 aparelhos, 85% dos quais com capacidade invasiva, e consequentemente, bem mais do que duplicando a capacidade existente no início de março", referiu.

Foi ainda destacada a importância de uma eficiente gestão das capacidades hospitalares genéricas.

Relativamente ao número de profissionais de saúde infetados, Marta Temido adiantou que existem 1.332, especificando que 231 são médicos e 339 são enfermeiros.

Segundo o último balanço da DGS, Portugal tem 295 vítimas registais por Covid-19, registando ainda mais de 11 mil casos confirmados.

Ministra garante resposta para cirurgias “prioritárias e muito prioritárias”

A ministra da Saúde garantiu hoje que as cirurgias “prioritárias e muito prioritárias”, nomeadamente as oncológicas, continuam a ter resposta no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que os vales cirúrgicos emitidos para o setor privado “não foram suspensos”.

Na conferência de imprensa realizada diariamente na Direção-Geral da Saúde, Marta Temido foi questionada sobre relatos de adiamento de cirurgias urgentes, nomeadamente na área da oncologia, e relembrou o despacho que fez a 16 de março sobre a remarcação de cirurgias, mas apenas para casos não urgentes, devido à pandemia da covid-19.

“Em 16 de março foi determinado que as intervenções cirúrgicas que não fossem consideradas clinicamente urgentes e muito urgentes poderiam ser, em função da avaliação da instituição, da direção clínica, e naturalmente da decisão clínica para cada doente, remarcadas e adiadas para uma data posterior”, disse a ministra.

Marta Temido afirmou que esta orientação procurou “precaver que a capacidade de resposta do SNS ficaria preservada para os casos mais urgentes”, continuando a ter resposta no SNS as situações de doentes “prioritários e muitos prioritários”.

“É muito importante referir que os vales cirúrgicos emitidos para o setor privado, para setor convencionado, não foram suspensos. Aquilo que é a resposta que o setor com o qual o SNS se articula está preservada, desde que essas instituições permaneçam a funcionar na medida em que são tendencialmente instituições menos afetados pela covid-19”, frisou.

Marta Temido acrescentou que esta situação é idêntica para os meios complementares de diagnósticos e de terapêutica.

“No mesmo despacho também é dada uma orientação para que os meios complementares de diagnóstico e de terapêutica, que não correspondem a situações urgentes, possam ser remarcados”, disse, frisando que abrange as situações de eventual rastreio.

Segundo a ministra, a fragilidade e a pressão que está neste momento no sistema de saúde pode constituir uma oportunidade de risco que se quer de toda a forma evitar.

“Naturalmente que as situações que clinicamente e, por isso contamos com o juízo institucional das direções clínicas e de serviço e, em última instância do próprio médico assistência, forem consideradas como situações que tem de ter seguimento são seguida, designadamente aquilo que é a atividade da área oncológica que seja considerada prioritária e muito prioritária”, disse.

 
António Guimarães