A ministra da Saúde anunciou, esta sexta-feira, que o país tem, neste momento, 34 surtos ativos e admitiu que os números registados nas últimas 24 horas ainda não são os pretendidos.

Os números não são ainda aqueles que gostaríamos de ter e vamos ter, portanto, de continuar a empenhar o nosso melhor esforço para impedir a progressão epidémica", admitiu.

Do total de surtos ativos: 18 pertencem à Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte; cinco à ARS do Centro; cinco à ARS do Alentejo e seis à ARS do Algarve.

Referiu ainda que maioria dos novos casos das últimas semanas, sobretudo na região de Lisboa, são de pessoas que nunca estiveram confinadas. “Não podemos atribuir todos os novos casos ao desconfinamento”, frisou.

Questionada sobre se as visitas nos lares iriam ser suspensas, Marta Temido deixou claro que essa hipótese não está em cima da mesa, pelo menos a nível geral, mas que o controlo a estas instituições se vai manter "apertado".

Os lares têm não só de obedecer a uma série de requisitos, mas passarão também a ser visitados por equipas conjuntas formadas por profissionais de saúde e da Segurança Social e também da Proteção Civil sempre que necessário e adequado. (...) Vamos manter um controlo muito apertado".

 

Todos os lares em que é identificado um caso, as visitas são suspensas. Generalizar a suspensão das visitas ao país, neste momento, não se afigura proporcional e, sobretudo, aquilo que se indicia é que a transmissão de infeção acontece por via, muitas vezes, dos profissionais das instituições e não das visitas. E, portanto, estaríamos a atacar o foco errado", acrescentou.

Relativamente à lotação do Hospital de Cascais, a governante diz-se "tranquila" e esclareceu que esta unidade hospitalar tem 234 camas de enfermaria, das quais 39 estão ocupadas com doentes Covid-19, enquanto que a Unidade de Cuidados Intensivos tem uma capacidade para 18 doentes (seis Covid-19 e 12 não-covid), das quais quatro estão ocupadas com doentes infetados.

Aproveitou para referir que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) continua com capacidade de resposta à pandemia, nomeadamente na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Quero deixar bem claro: o Serviço Nacional de Saúde continua a responder nesta que foi uma semana difícil de luta contra a pandemia", afirmou.

"Não temos nenhuma infeção associada a contágio em transportes"

Quanto ao facto de ter afirmado que os transportes públicos não era um foco de infeção, Marta Temido esclareceu que não existe nenhuma informação que aponte nesse sentido.

Eu não disse que os transportes não eram um foco de transmissão da infeção, o que eu disse é que nas identificações de transmissão de infeção que temos, não temos nenhuma infeção associada a contágio em transportes e que isso nos deve fazer refletir".

A Diretora-Geral da Saúde anunciou também que já foi publicada a norma que estabelece as regras para a utilização de ar condicionado nos estabelecimentos comerciais e outros.

"Não há nada que justifique" a exclusão de Portugal dos corredores de viagem do Reino Unido

Sobre a decisão de Inglaterra excluir Portugal dos “corredores de viagem internacionais”, a ministra da Saúde disse que não há nada que justifique a medida do governo britânico.

Entendemos que comparando a situação epidemiológica de Portugal e Reino Unido, não há nada que justifique esta decisão, mas esperamos para verificar o que é que uma próxima avaliação nos pode trazer e estamos a trabalhar, obviamente, nesse sentido".

Recordando que, esta sexta-feira, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças referiu que este tipo de medidas não são as mais adequadas para controlar a pandemia de Covid-19.

Cláudia Évora / Notícia atualizada às 22:37