A mulher que foi infetada com o coronavírus e que está internada em Lisboa é professora de física e química em duas escolas da Amadora, na Escola Básica Roque Gameiro e na Escola Secundária da Amadora.

O diretor do agrupamento de escolas de que faz parte a Escola Básica Roque Gameiro, Francisco Marques, explicou aos jornalistas esclareceu que a escola não obrigou a professora ficar em casa quando soube que veio de Itália, porque “a escola não se sobrepõe ao SNS”, que mandou a docente ir trabalhar, depois de a docente ter contactado a linha de Saúde 24.

O responsável admitiu que houve uma atividade onde os alunos e os auxiliares estiveram a menos de dois metros da professora e causa. Três auxiliares e cinco professores estiveram em contacto direto com a professora e estão todos em isolamento.

O diretor do agrupamento de escolas acrescentou ainda que, se os pais dos alunos que não estão em isolamento decidirem não levar os filhos à escola, a situação "será tida em conta" e não lhes será marcada falta". 

A TVI confirmou no local que foi enviado aos pais um comunicado alertando a comunidade escolar para o caso, pedindo que os alunos ficassem em casa, mas não está ainda esclarecido se os restantes estudantes da escola vão também ficar sem poder frequentar o estabelecimento de ensino.

Uma professora da Escola Básica 2.º e 3.º ciclos Roque Gameiro esteve de férias em Milão, Itália, na semana passada, tendo retornado às suas aulas na quinta-feira, dia 27 de fevereiro e também no dia 28", refere o comunicado enviado aos encarregados de educação, acresentando que a professora foi diagnosticada com Covid-19 no dia 4 de março. 

Face a esta situação, foi determinado pela Autoridade de Saúde que as cinco turmas da E.B. 2/3 Roque Gameiro e uma turma da Escola Secundária da Amadora que tiveram aulas com esta professora vão ficar em isolamento social até ao dia 13 de março, inclusivé, nas suas residências, não podendo portanto vir à escola".

A mulher foi o sexto caso de infeção por Covid-19 anunciado em Portugal. Tem entre 40 e 49 anos.

O estado de saúde dos alunos será monitorizado telefonicamente, alertando-se os encarregados de educação que deverão ficar atentos a sintomas como febre, tosse e dores de garganta.

nove casos positvos de coronavírus em Portugal: seis doentes estão internados no Porto e três em Lisboa. No total, há quatro doentes com ligações a casos confirmados.

Filho da professora estuda em escola de Benfica, que fechou portas

O Externato Grão Vasco, em Benfica, decidiu suspender, por precaução, as aulas até sexta-feira, uma vez que o filho da professora infetada estuda nesta escola.

Depois de proceder à desinfeção do espaço, o Grão Vasco prevê reabrir portas na segunda-feira.

Apesar de a professora que leciona na Amadora estar infetada com Covid-19, tanto o filho como o marido encontram-se assintomáticos.

DGEstE dá orientações sobre planos de contingência das escolas

A Direção-Geral dos Estabelecimentos de Ensino (DGEstE) enviou às escolas orientações para a elaboração de planos de contingência para eventuais casos suspeitos de infeção com o novo coronavírus.

O documento, que segundo fonte do Ministério da Educação já chegou a todas as escolas, define as orientações gerais que devem estar refletidas nos planos de contingência dos estabelecimentos de ensino e que deverão estar concluídos até segunda-feira.

Este documento (…) define um conjunto de orientações que permite a preparação e adequação da resposta de cada escola, centrando-se nas questões operacionais a acautelar, de forma a proteger a saúde dos alunos, docentes, trabalhadores não docentes e visitantes, assegurando a continuidade da atividade”, lê-se no documento também publicado na página oficial da DGEstE.

Segundo um despacho do Governo emitido na segunda-feira, os empregadores públicos devem elaborar, no prazo de cinco dias úteis, um plano de contingência para o surto de Covid-19.

No caso dos estabelecimentos de ensino, cabe às próprias escolas elaborar os seus planos, adaptando as orientações da tutela à sua realidade particular, explicou à Lusa o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.

No documento hoje enviado, a DGEstE recomenda que cada escola crie uma estrutura de comando e controlo, uma rede de comunicação de contactos atualizada e que identifique os profissionais de saúde e as autoridades de saúde locais, de modo a delegar e definir responsabilidades.

A direção-geral recomenda também que as escolas definam uma área de isolamento, para “evitar ou restringir o contacto direto com quem apresente os sintomas” já identificados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), uma medida que, segundo Filinto Lima, já tinha sido definida pelas escolas.

Segundo o presidente da ANDAEP, as escolas já tinham estabelecidas as linhas gerais dos seus planos de contingência, com base nas recomendações já conhecidas da DGS e na experiência passada com a pandemia da Gripe A (H1N1), que também obrigou os diretores a desenhar um plano de intervenção, e aguardavam agora as orientações da tutela para os concluir.

Em comunicado, a Federação Nacional de Professores (Fenprof) criticou o Governo e o Ministério da Educação pelo atraso na tomada de medidas, sublinhando que as escolas são um espaço de risco para a propagação da Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus que surgiu na China, e que os próprios docentes são um grupo de risco, pela sua exposição e por constituírem um corpo profissional envelhecido.

A Fenprof responsabiliza o governo por ter descansado sobre a ausência de casos em Portugal, não tendo definido um plano de contingência atempadamente, querendo agora viver da criatividade das escolas que, em vários casos, procuram recuperar os planos de há uma década, ainda que as características do atual problema possam ser distintas”, lê-se no comunicado, enviado ainda antes de se conhecerem as recomendações da tutela.

O documento da DGEstE estabelece também orientações para os procedimentos a adotar caso se confirme algum caso de infeção com o novo coronavírus, nomeadamente o reforço da limpeza e desinfeção nas instalações e a “vigilância ativa dos contactos próximos”, isto é, daqueles que possam ter tido contacto próximo com um caso confirmado, sem referir a necessidade de os isolar preventivamente, como já foi decidido por algumas escolas.

As recomendações de ponderação na realização de visitas de estudo ao estrangeiro, já enviadas às escolas no final do mês de fevereiro, também constam no documento, que reflete as orientações gerais da DGS e as orientações da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) para a estruturação dos planos de contingência.

Rita Barão Mendes / BC - atualizada às 16:33