O secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, admitiu esta quarta-feira que em Portugal e internacionalmente se vive um "momento de grande preocupação com a evolução da pandemia", naquele que foi o segundo pior dia da pandemia de covid-19 em Portugal em termos de número de casos, 2.535, mas garante que o Serviço Nacional de Saúde está "preparado para continuar a expandir a oferta de camas de enfermaria e unidades de cuidados intensivos".

O governante sublinhou ainda, na conferência de imprensa de balanço da pandemia em Portugal, que "o SNS respondeu e continuará a responder, mas tal só será possível com a continuação da colaboração de todos". 

Questionado com a possibilidade de Portugal chegar aos 4.000 casos diários de covid-19, o secretário de Estado refere que não há uma "resposta evidente" sobre a capacidade máxima do SNS, uma vez que depende de escolhas feitas dentro da atividade desempenhada, mas garante que, se for necessária uma paragem da atividade programada não urgente, será possível disponibilizar mais de 900 camas para doentes covid-19.

Neste momento, monitorizamos necessariamente as necessidades que existem, vamos continuar a fazê-lo e a adequar a resposta do SNS às necessidades que surgirem nas próximas semanas", sublinhou Diogo Serras Lopes". 

A taxa de ocupação de camas em enfermaria para doentes com covid-19 é de 72% a nível nacional, registando-se no Norte o valor mais elevado (76%), disse ainda Serras Lopes. 

Nas camas de Cuidados Intensivos dedicadas a covid-19 registamos uma taxa de ocupação de 71%, com mais uma vez o valor mais alto a ser registado na Administração Regional de Saúde do Norte (76%)”, acrescentou o governante.

O aumento de casos verificado nas últimas semanas coloca, e continuará a colocar, uma pressão significativa sobre todo o sistema de saúde e, em particular nesta fase, sobre a saúde pública”, frisou.

O secretário de Estado indicou que face aos valores registados em abril, se verificam “menores incidências proporcionais” de internamento em enfermaria e também em Unidades de Cuidados Intensivos, bem como uma diminuição do tempo médio de internamento, relativamente a abril e maio.

SNS mais bem preparado

Passados sete meses sobre os primeiros casos registados em Portugal, o governo considera que o sistema de saúde está mais bem preparado, quer ao nível do reforço de profissionais (mais de 5.000) e de equipamento, quer na elaboração do plano outono/inverno, cuja versão consolidada deverá estar disponível no final da semana.

Sobre o reforço das equipas de saúde pública com estudantes de enfermagem, Serras Lopes referiu que os estudantes estão em estágio, a terminar a sua formação, e que o Estado procurou fazer um reforço significativo de recursos humanos durante a pandemia, nomeadamente na contratação de enfermeiros, acrescentando que as várias entidades do sector público continuam com autonomia de contratação.

Já Graça Freitas revelou que, em escolas e ensino superior, há 49 surtos ativos de covid-19, com 449 casos reportados, sendo que nestes não estão ainda incluídos "todos os alunos Erasmus" infetados em todo o país. E acrescentou que houve também , até agora, 28 surtos em hospitais, com  326 casos no total, sem especificar se os infetados são doentes ou profissionais de saúde. 

Questionada sobre se já está a ser seguida pelos profissionais de saúde a norma que prevê a alta para doentes assintomáticos ou com sintomas ligeiros após 10 dias da infeção com covid-19, sem necessidade de teste negativo, a diretora-geral da Saúde referiu ainda que a recomendação está a ser progressivamente adaptada e que existe sempre um "período de transição", mas apelou aos empregadores e escolas que recebam estes doentes "sem nenhum receio" uma vez que a carga viral que eventualmente tenham no organismo já não é suficiente para serem contagiosos. 

Surtos ativos em 129 lares

Cento e vinte e nove lares registam surtos ativos de covid-19, com 1.425 casos entre utentes e 593 entre profissionais, segundo dados divulgados pelo secretário de Estado da Saúde.

Diogo Serra Lopes relativizou estes números, recordando que “em abril chegaram a ser bastante mais altos”.

Chegou a registar-se em abril 365 lares com casos face aos atuais 129, com 2.512 utentes e 1.197 profissionais infetados, referiu o governante.

Os números que registamos atualmente são efetivamente bastante mais baixos do que os registados na primeira onda nos meses de março de março e abril", sublinhou.

Diogo Serras Lopes revelou ainda que, desde o início da pandemia, foram infetados 5.908 profissionais de saíde, 727 médicos e 1.651 enfermeiros, e que ao dia de ontem tinham sido dado como recuperados 4.386 doentes.

Bárbara Cruz / Com Lusa