A prevalência de fumadores com 15 ou mais anos baixou em Portugal continental de 20% para 16,8%, entre 2014 e 2019, cumprindo um dos objetivos do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo da Direção-Geral da Saúde.

Ainda existem, contudo, “grandes assimetrias regionais”: Os Açores apresentaram a percentagem de fumadores mais elevada (23,4%), a região Centro, a mais baixa (15%).

O Algarve registou o maior decréscimo relativo na prevalência de fumadores (-23,8%), enquanto a Região de Lisboa observou o maior decréscimo relativo na prevalência de fumadores diários (-22,9%).

“Deste modo, não foi plenamente alcançado o objetivo do PNPCT 2020 de redução das desigualdades regionais na prevalência do tabagismo”, refere o relatório do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo (PNPCT) 2020 hoje divulgado.

Objetivo cumprido pelo programa foi o de travar o aumento do consumo de tabaco nas mulheres, que vinha a aumentar desde 1987, que segundo o Inquérito Nacional de Saúde (INS) baixou de 13,2% em 2014, para 10,9%, em 2019.

Na nota introdutória do relatório, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, destaca como notas positivas o decréscimo do número de fumadores e a descida do consumo de tabaco de combustão nos jovens dos 13 aos 18 anos, em particular dos cigarros convencionais.

Contudo, não pode deixar de merecer preocupação o expressivo aumento do consumo de tabaco para cachimbo de água e de novos produtos de nicotina, designadamente de cigarros eletrónicos, cuja prevalência de experimentação, em 2019, entre os jovens escolarizados dos 13 aos 18 anos (22%) se aproximou da observada relativamente aos cigarros tradicionais (29%)”, salienta.

Do mesmo modo, afirma Graça Freitas, “o consumo de tabaco aquecido, colocado no final de 2015 no mercado nacional, está a atrair os mais jovens”.

Em 2019, 5% dos adolescentes escolarizados dos 13 aos 18 anos afirmaram já os ter experimentado e 2% consumido nos últimos 30 dias.

Para Graça Freitas, esta tendência de consumo de novos produtos merece um particular acompanhamento, na medida em que pode reverter a tendência de decréscimo do consumo de tabaco que se pretende alcançar e contribuir para uma nova geração de dependentes de nicotina.

Em 2020, as introduções no consumo registaram um decréscimo relativamente a 2019, com exceção do tabaco para cachimbo de água, que apresentou um aumento relativo de 83,7%, e do tabaco para cigarros de enrolar (+5,4%).

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o aumento dos impostos sobre os produtos do tabaco é a intervenção mais eficaz na redução

do consumo, devendo fazer parte de uma abordagem global de prevenção e controlo do tabagismo.

“Contrariamente a este objetivo, a taxação do tabaco registou um acréscimo pouco expressivo entre 2019 e 2020”, refere o relatório, indicando que a arrecadação de impostos sobre o tabaco rendeu ao Estado 1.427,4 milhões de euros em 2019.

Tendo por base os dados dos INS, em 2019, cerca de 7,7% da população residente com 15 ou mais anos disse estar exposta diariamente ao fumo ambiental, valor ligeiramente inferior ao registado em 2014 (8,6%), o que significa que o cumprimento deste objetivo traçado para 2020 ficou aquém do desejado.

Este objetivo, refere a DGS, mantém-se como “um dos eixos estratégicos para os próximos dois anos, à semelhança da prevenção da iniciação do consumo e da promoção da cessação tabágica, em particular, em adultos com menos de 40 anos, nas mulheres grávidas, pessoas com doenças crónicas ou problemas de saúde mental ou pertencentes a grupos populacionais desfavorecidos”.

/ RL