Sobre os surtos de infeção ativos em Lisboa e Vale do Tejo, Graça Freitas confirmou, na habitual conferência de imprensa da situação epidemiológica em Portugal, que dos 16 casos detetados no Bairro da Jamaica, no Seixal, quatro já foram dados como recuperados. Disse ainda que todos os surtos detetados nesta zona do país - como o do lar de Abrantes e o da Sonae MC na Azambuja - estão a ser devidamente acompanhados pelas autoridades.

Há situações diferentes. Há zonas onde os casos são dispersos, há depois a questão da Azambuja, que foi de contágio em meio laboral” e acrescentou "em relação ao Seixal há boas noticias. Num dos bairros onde houve 16 casos positivos, quatro já foram dados como curados e não apareceram novos casos. Por outro lado, apareceram no Seixal focos familiares, muitos pequenos e ligados a coabitação”.

Questionada se as pessoas que vivem nestes bairros sociais, e que estão a ser tratadas em casa, têm as condições necessárias para fazerem o tratamento, a diretora-geral da Saúde esclareceu que estes doentes apresentam sintomas ligeiros e que as autoridades fazem sempre a verificação de habitabilidade das casas.

Existe uma condição mínima de habitabilidade que é verificada pelas autoridades de saúde, e outra envolvidas, no local", garantiu Graça Freitas. 

Sobre o facto das autoridades de saúde, em conjunto com a proteção civil e a autarquia, não terem querido testar toda a população residente no Bairro da Jamaica, argumentou que "não é por se tratar de um bairro social que se confina ou não todo o bairro".

Não me parece que haja razões para se fazerem testes em bairros sociais, a não ser no âmbito de um surto e de uma investigação epidemiológica. Aí sim, haverá a necessidade de fazer testes, de acordo com o que é a estratificação do risco. Não me parece que seja por estar num bairro social por si só que se deva testar. Este vírus é um vírus democrático. Pode atingir qualquer um de nós, independentemente da condição social”, reforçou o secretário de Estado da Saúde.

Na terça-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou a existência de 32 casos positivos em bairros comunitários do Seixal, com metade dos casos identificados no Bairro da Jamaica.

Graça Freitas desvalorizou a tendência de aumento de novos casos de Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo dizendo que "o que está a acontecer em Lisboa já aconteceu em outras zonas do país". 

Na mesma linha, António Lacerda Sales reforçou que têm sido cumpridas pelos portugueses todas as regras para o desconfinamento se manter, uma vez que na próxima segunda-feira se inicia a terceira e última fase estabelecida pelo Governo.

Graça Freitas acrescentou ainda que todos os indicadores apontam para uma evolução favorável, com o números de internamentos e de mortos a descer e o número de recuperados a subir. 

Existem 14 lares com casos positivos em todo o país

Lacerda Sales referiu que existem 14 lares de um universo de 359 com casos de Covid-19 positivos. O que representa 39 pessoas infetadas. O secretário de Estado da Saúde disse ainda que desde o dia 22 de abril que não se registam mortos nestas unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).

Temos casos positivos de Covid-19 em 14 unidades da RNCCI, num universo de 359. São 39 doentes positivos. Felizmente não se registam mortes nessas unidades desde o dia 22 de abril", disse.

Segundo o governante, foram transferidos cerca de 4.250 doentes dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde para unidades da RNCCI, desde o dia 9 de março, e ainda encontradas perto de 420 respostas sociais, o que permitiu "libertar camas hospitalares".

Nas últimas 24 horas, Portugal registou mais 14 óbitos e 285 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado esta quarta-feira pela DGS. 

Desde o dia 1 de março foram realizados 770 mil testes de diagnóstico. Portugal conseguiu "mesmo passar a barreira dos 20 mil testes diários" no passado dia 15 e "já foram feitos em maio mais testes que no mês de abril".

Cláudia Évora / Atualizada às 15:30