O interrogatório formal dos 11 arguidos detidos no âmbito da ‘Operação Miríade’ já foi iniciado esta terça-feira, depois das 18:30, pelo juiz de instrução Carlos Alexandre, no Juízo de Instrução Criminal de Lisboa.

Segundo fonte da defesa, um dos arguidos já está a prestar declarações e haverá mais detidos que terão mostrado vontade de fazer o mesmo.

Entre os 11 arguidos que foram detidos na segunda-feira pela Polícia Judiciária (PJ) estão militares, ex-militares, nomeadamente Comandos, um agente da PSP – do comando metropolitano de Lisboa – um guarda da GNR em formação e um advogado.

No entanto, fonte ligada ao processo adiantou à agência Lusa que da rede criminosa fazem ainda parte mais de seis dezenas de outras pessoas e cerca de 40 empresas, algumas que funcionariam como “fachada” para os negócios que envolviam diamantes, ouro, droga e `bitcoins`.

Paulo Nazaré, o alegado líder da rede é um dos 11 detidos e prestou serviço como soldado na 2.ª Força Nacional Destacada (FND) na República Centro-Africana de outubro de 2017 a março de 2018, tendo depois abandonado a vida militar.

Em causa está a investigação a uma rede criminosa com ligações internacionais e que “se dedica a obter proveitos ilícitos através de contrabando de diamantes e ouro, tráfico de estupefacientes, contrafação e passagem de moeda falsa, acessos ilegítimos e burlas informáticas”, com vista ao branqueamento de capitais.

Em comunicado, o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) revelou que alguns militares portugueses em missões na República Centro-Africana podem ter sido utilizados como "correios no tráfego de diamantes, ouro e estupefacientes", adiantando que o caso foi reportado em 2019.

Segundo o EMGFA, "o que está em causa de momento é a possibilidade de alguns militares que participaram nas FND [Força Nacional Destacada], na RCA, terem sido utilizados como correios no tráfego de diamantes, ouro e estupefacientes" e que "estes produtos foram alegadamente transportados nas aeronaves de regresso das FND a território nacional".

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