Dois responsáveis bancários foram úteis ao esquema de branqueamento de capitais montado pelo ex-comando do Exército Paulo Nazaré. O militar que geria a rede de tráfico de ouro, diamantes e droga com origem na República Centro-Africana (RCA), tinha cúmplices em duas entidades bancárias, numa agência em Bragança e noutra em Linda-a-Velha, Oeiras, sabe a TVI.

Agora, na operação Miríade, também esses bancários – entre os quais um diretor – foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ) e sujeitos a medidas de coação pelo juiz. Ao contrário do que está estabelecido por lei, permitiam que dezenas e centenas de milhares de euros com origem criminosa circulassem por contas-veículo, abertas nas duas instituições bancárias, sem fazerem soar qualquer campainha, ou seja, sem rejeitar as operações bancárias de depósito ou transferência e sem fazer as comunicações de operações suspeitas ao DCIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal) e à Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária.

Mais: já durante a investigação, quando a justiça ordenou àqueles dois bancos a quebra do sigilo bancário das contas associadas a Paulo Nazaré, os dois altos funcionários terão alertado o suspeito para o facto de estar a ser investigado. 
   
Os bancários eram, assim, altamente utilitários ao esquema dos militares – que passava por lavar dinheiro com origem ilícita, não só dos negócios na RCA, mas também de outros clientes, alguns titulares de cargos públicos, como diplomatas que pretenderiam esconder dinheiro obtido em casos de corrupção, conforme a TVI revelou. 

Paulo Nazaré tinha uma agência de fachada, onde lavava dinheiro: ou na compra de bitcoins, moeda virtual, ou no envio de remessas de dinheiro para o Brasil, ou transferências para o Dubai, ou ainda com a abertura de contas bancárias em nome de testas de ferro, que cobravam 50% dos depósitos. O tipo de esquema adotado era escolhido em função do perfil do cliente e dos crimes a que estava associado.

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Henrique Machado