Os pais do bebé Rodrigo, a criança que nasceu sem parte do rosto, foram esta quarta-feira ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Setúbal para serem ouvidos no processo de investigação à clínica EcoSado.

O DIAP está a ouvir todos os envolvidos na queixa contra a EcoSado e o médico responsável pelas ecografias de Rodrigo, Artur Carvalho. Apenas a mãe foi ouvida pelo magistrado, além de ter apresentado documentos relativos ao acompanhamento de toda a gravidez. Todos os exames apresentados foram feitos pelo clínico acusado.

Rodrigo tem malformações no rosto e no cérebro e só tem o sentido do tato. Contra todas as expectativas, a criança já tem quase um mês e meio de vida, e está a ser acompanhada em casa pelos médicos do Hospital São Bernardo.

No passado dia 22 de outubro, o Conselho Disciplinar Regional do Sul (CDRS) da Ordem dos Médicos suspendeu preventivamente o obstetra que acompanhou a gravidez da mãe do Rodrigo e que não detetou as malformações do feto em diversas ecografias realizadas numa clínica particular, mas que não tem acordo com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

Na altura, o CDRS justificou a suspensão com a "gravidade das infrações imputadas ao médico arguido nos vários processos e aos indícios muito fortes de que efetivamente as cometeu" e considerou que a conduta do obstetra Artur Carvalho colocou em causa a confiança na qualidade dos serviços médicos obstétricos prestados em Portugal e desprestigiou a classe médica.

  
/ AG