Há magistrados do Ministério Público que não querem investigar casos de violência doméstica. A denúncia foi feita pela responsável da unidade de combate a este crime, do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

Ao jornal Expresso, Fernanda Alves, procuradora que lidera este organismo, garante que os magistrados que trabalham estes casos são essencialmente os mais novos, com pouca experiência e voluntários à força.

Raros são os magistrados que querem trabalhar na violência doméstica" e acrescenta "geralmente os voluntários à força são os mais novos e sem qualquer experiência na área" disse numa sessão que decorreu na Assembleia da República, na qual também denunciou a falta de meios técnicos e humanos. 

Uma das causas que faz com que os procuradores fujam deste tipo de casos tem que ver com o escrutínio público da sociedade se alguma coisa correr mal durante o processo.

Estes problemas, segundo Fernanda Alves, fazem com que não possa ser dado o acompanhamento às vítimas que a lei prevê.

A unidade de combate contra a o crime de violência doméstica do DIAP de Lisboa, criada em 2010, é a única em todo o país que se dedica exclusivamente à investigação deste crime.

Segundo o jornal Expresso, que cita a procuradora, entre janeiro e março deram entrada no DIAP de Lisboa 610 queixas de violência doméstica, mais 141 do que igual período do ano passado.