As pessoas infetadas com o novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, podem demorar até quase um mês a recuperar completamente, afirmou esta terça-feira o subdiretor-geral da Saúde, Diogo Cruz.  

Questionado pela Lusa sobre a evolução do número de doentes recuperados em Portugal (43), Diogo Cruz explicou que o vírus pode persistir na orofaringe das pessoas infetadas além do período médio de 14 dias, podendo ser detetável até aos 21 ou 28 dias, mesmo que os pacientes já não apresentem sintomas.

Segundo os dados do último boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), apenas 43 doentes já recuperaram, um número que se mantém inalterado desde o dia 27 de março.

Segundo o subdiretor-geral da Saúde, é expectável que a evolução dos casos recuperados seja mais lenta, porque o período durante o qual o vírus se mantém positivo é variável e, em alguns casos, prolongado, mesmo que a recuperação sintomática seja rápida.

Diogo Cruz acrescentou que o número apresentado nos boletins epidemiológicos da DGS não reflete o número de doentes assintomáticos, sendo apenas consideradas recuperadas as pessoas que apresentem dois testes negativos num intervalo de pelo menos 24 horas.

Estamos a viver uma situação excecional em relação àquilo que é o habitual. Um doente com uma pneumonia que do ponto de vista clínico tem alta considera-se tratado, que não é aquilo que nós estamos a viver ao dia de hoje, porque sabemos que este vírus permanece na orofaringe dos pacientes muito tempo, mesmo após já estarem completamente assintomáticos”, explicou.

Diogo Cruz adiantou ainda que os pacientes internados que tenham alta hospitalar continuam a ser seguidos em casa, através da plataforma Trace COVID-19, e são também testados de forma a avaliar a sua recuperação.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 791 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 38 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 160 mortes, mais 20 do que na véspera (+14,3%), e 7.443 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 1.035 em relação a segunda-feira (+16,1%).

Dos infetados, 627 estão internados, 188 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

/ AG