A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Governo fizeram esta quarta-feira o balanço da situação da pandemia de Covid-19 em Portugal. A secretária de Estado da Saúde, Jamila Madeira, começou por reforçar a necessidade do cumprimento das medidas de segurança, sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa, que tem registado a grande maioria dos casos nas últimas semanas.

A governante admitiu que existe alguma dificuldade em fazer o rastreio dos casos na Grande Lisboa, até porque, segundo revelou, existem casos reportados de moradas falsas ou de moradas alteradas.

As dificuldades e os desafios continuarão a surgir todos os dias, a todas as horas, pelo menos até que nos seja apresentada uma vacina", disse.

Questionada sobre a aplicação do medicamento Remdesivir, Jamila Madeira revelou que a compra massiva deste fármaco por parte dos Estados Unidos não mudou a opinião da comunidade médica e dos especialistas em Portugal. Algumas notícias revelaram mesmo que aquele país teria adquirido a totalidade do stock existente, e o Governo está a acompanhar a situação.

O Infarmed pediu informação à empresa sobre a situação", acrescentou Jamila Madeira.

Sobre a prevalência de Covid-19 nos lares de idosos, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, informou que as situações mais preocupantes se encontram, atualmente, na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Neste momento, e segundo os dados da DGS, existe um surto ativo na região Norte, tal como na região Centro e no Alentejo.

A região envolvente de Lisboa apresenta uma situação "mais complexa", pelo que os dados não estão atualizados.

Reação às palavras de Fernando Medina

Esta terça-feira, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, responsabilizou as chefias da área da saúde pela atual situação de Covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Em reação às críticas, Jamila Madeira referiu que "todos estamos aprender" numa situação que é nova, desvalorizando as palavras que fazem parte da "atividade democrática". A governante relembrou a questão das moradas falsas ou desatualizadas, que tornam difícil um melhor rastreio das cadeias de transmissão.

Gostava de sinalizar a cooperação com todas as autoridades", vincou.

Sobre as férias dos profissionais de saúde, a secretária de Estado afirmou que é preciso coordenar a necessidade de resposta com a capacidade de operacionalização.

Situação nos hospitais

Um dos hospitais com maior lotação é o Amadora-Sintra, que tem uma taxa de ocupação de 87%. Nesse caso, Jamila Madeira relembrou que o Serviço Nacional de Saúde funciona de acordo com um sistema em rede, pelo que os doentes poderão ser realocados para diferentes unidades hospitalares.

Graça Freitas atualizou também os números relativos a um segundo surto no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, informando que pelo menos 33 profissionais de saúde estão infetados, e que outros 43 se encontram em isolamento, o que resulta num total de 76 profissionais de saúde que estão ausentes do serviço. O número de casos ativos em doentes é 21, sendo que "muitos deles tiveram alta porque o seu estado de saúde assim o permitiu". O total acumulado de casos confirmados no IPO é de 110.

O surto continua sobre observação e continuamos a testar muitas pessoas", disse Graça Freitas.

O programa de vigilância daquela unidade permite a testagem de cerca de 160 pessoas por dia nas instalações.

Outro dos focos de preocupação é o Hospital Egas Moniz, também em Lisboa. Nessa unidade hospitalar há 20 doentes e 13 profissionais de saúde infetados (um deles internado).

Com a reabertura das fronteiras, os passageiros de países como os Estados Unidos, Brasil ou Angola vão passar a ser monitorizados na chegada a Portugal.

Graça Freitas revelou que haverá esta quinta-feira uma reunião para que se defina o reforço das autoridades para fazer face ao aumento de passageiros nos aeroportos portugueses.

Em Portugal, morreram 1.579 pessoas das 42.454 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

António Guimarães