A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, sublinhou esta quarta-feira que as condições dos ambientes exteriores no que toca à presença do novo coronavírus são diferentes das condições dos ambientes fechados. A responsável frisou que no exterior a concentração é desde logo muito diferente porque "há ar à nossa volta, há espaço, há vento".

Questionada sobre a medida tomada pela Região Autónoma da Madeira, que decretou o uso obrigatório de máscara em todos os espaços públicos, mesmo no exterior, a diretora-geral da Saúde afirmou que o vírus pode estar presente em aerossóis, no exterior, mas que é preciso ver se estas partículas são infecciosas, isto é, se têm a capacidade de infetar alguém. 

O que está descrito no exterior é que, de facto, as partículas que saem da nossa saliva, das nossas secreções podem conter vírus e em determinados circunstâncias ficarem em partículas mais pequenas, em aerossóis, no ar. Mas é preciso ver se essas partículas nos aerossóis, que existem de facto, são ou não infeciosas, isto é se têm capacidade de infetar alguém."

Graça Freitas reiterou que, do que se sabe até agora, estes vírus "têm uma tendência para se concentrarem, se desenvolverem bem, serem viáveis num ambiente fechado, com determinada temperatura, com determinada humidade".

E lembrou que uma das medidas para prevenir o contágio em ambientes interiores é precisamente "o arejamento, abrir portas e janelas para que o ar circule e as partículas se dispersem".

No seguimento desta ideia, a diretora-geral da Saúde disse que "é com base nestas circunstâncias e com base nos peritos" que a recomendação DGS para a utilização das máscaras é sobretudo para ambientes fechados onde não seja possível garantir a distância física, onde haja uma grande concentração de pessoas ou uma determinada temperatura. 

Estamos abertos à ciência e ao que disserem os peritos. De momento mantêm-se as nossas recomendações", acrescentou.

Portugal registou, nas últimas 24 horas, mais três óbitos e 203 novos casos de Covid-19, de acordo com o último boletim da DGS.

Sobe, assim, para 1.725 o número de vítimas mortais, com os infetados a ascenderem a 50.613.

Sofia Santana