"Nada pode justificar a violência contra as mulheres" e para alertar para o crime público da violência doméstica, a secretaria de Estado da Cidadania e Igualdade lançou, esta sexta-feira, a campanha #DitadosImpopulares.

Em entrevista à TVI, a secretária de Estado, Rosa Monteiro, explicou que a campanha "parte da desconstrução e pretende desconstruir e desmistificar os ditados populares que continuam a legitimar as situações de violência".

"O que não deveria acontecer. Nada pode justificar a violência contra as mulheres e comportamentos agressivos e violentos e há como que uma responsabilidade coletiva que tem de ser lembrada porque as mulheres e as vítimas não podem permanecer sozinhas nas suas vivências, nos seus dramas. Elas e as suas crianças", afirmou em entrevista no Diário da Manhã, lembrando que "as crianças são vítimas diretas da violência, pois assistem e vivenciam ambientes familiares que são absolutamente nefastos".

A campanha do Governo pretende assim alertar que todos devem "meter a colher" quando o assunto é a violência doméstica e mostrar que o Executivo tem "incrementado e ampliado a capacidade de resposta" da rede nacional de apoio.

"Neste momento temos 166 estruturas de atendimento e esforçámo-nos para criar gabinetes de atendimento e de apoio especialmente no interior e em regiões em que não existiam, em parceria com os municípios, com estruturas de saúde, com as forças de segurança, de justiça, medicina legal e ONG especializadas que trabalham no terreno e que no fundo prestam este serviço fundamental de apoio, de informação, de esclarecimento, até de encorajamento destas mulheres em que as acompanham nas várias fases de pedir ajuda", explicou, garantindo que "mais de 70% do território" está coberto por esta rede e que há "uma média de 40 atendimentos diários".

Num ano em que dados provisórios apontam já para a morte de 20 mulheres, uma criança e dois homens vítimas do crime de violência doméstica, Rosa Monteiro diz que a prevenção para que o homicídio não aconteça começa em todos os cidadãos. 

"Temos de nos lembrar das formas persistentes e mais silenciosas de violência. São todas gravíssimas e inaceitáveis, é crime. É importante passar esta mensagem, a violência é crime público e isto acrescenta responsabilidade (...) É importante que as pessoas tenham consciência de que tem de mostrar um cartão vermelho absolutamente a qualquer situação de violência contra as mulheres que conheçam, não ficarem em silêncio e prestarem o apoio e encorajarem as mulheres que se encontram nesta situação", afirma a secretária de Estado.

Para a campanha foram desconstruídos vários ditados populares, entre eles "entre marido e mulher não se mete a colher" e "quanto mais me bates mais gosto de ti". 

"Quanto mais bates mais gosto de ti não pode ser! Há um conjunto de ideias que têm vindo a naturalizar estes comportamentos extremamente agressivos e violentos que destroem a vida das pessoas, das mulheres, das crianças, porque a violência tem efeitos no momento imediato e, evidentemente, naquilo que é a própria identidade, autoestima, a possibilidade de ter uma vida plena e uma cidadania plena das mulheres. (...) E, portanto, nós temos de por um fim a esta situação", reiterou.

A campanha da secretaria de Estado da Cidadania e Igualdade é lançada uma semana depois da campanha para a prevenção e o combate à violência doméstica do Ministério da Administração Interna e que resulta de uma parceria entre a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Delta Cafés.

"Para além de ser um crime, tantas vezes com consequências fatais, a violência doméstica constitui uma preocupação prioritária da GNR, à qual a Delta Cafés se quis associar. Trata-se, pois, de uma iniciativa enquadrada numa estratégia de consciencialização, que visa contribuir para a mudança de comportamentos da sociedade e para a progressiva intolerância social face à violência doméstica, uma vez que este flagelo impõe a adoção de estratégias multissetoriais e de respostas rápidas de múltiplas naturezas", afirma a GNR em comunicado.

A campanha consiste na difusão de mensagens impressas em pacotes de açúcar, através da adaptação de provérbios populares portugueses ao tema da violência doméstica.

Campanha GNR e Delta
Andreia Miranda