Há anos que o cancro de pulmão é o mais diagnosticado, mas as estatísticas mostram que outro tipo de tumor acaba de ultrapassá-lo em número de casos: o cancro da mama. Com uma estimativa de 2,3 milhões de diagnósticos em 2020 (11,7% do total) de acordo com um relatório recente da Organização Mundial de Saúde (OMS9, este é atualmente o cancro mais comum no mundo. 

Com 11,4 por cento do total de casos registados, o cancro do pulmão é o segundo mais encontrado e continua a ser aquele que mais pessoas mata. Em 2020 foi responsável pela morte de quase 1,8 milhões de pessoas, ou seja 18% do total de vítimas mortais devido a cancro. 

Já o cancro da mama, apesar de mais comum, é apenas o quinto na lista dos que mais matam, depois do pulmão, colorretal, fígado e estômago.

Uma em cada cinco pessoas desenvolverá cancro

De acordo com o relatório divulgado pela OMS, nas últimas duas décadas, o número total de pessoas diagnosticadas com cancro quase duplicou, de cerca de 10 milhões em 2000 para 19,3 milhões em 2020. Uma em cada 5 pessoas em todo o mundo desenvolverá cancro ao longo da sua vida. As projeções sugerem que o número de pessoas com diagnóstico de cancro aumentará ainda mais nos próximos anos, e será quase 50% maior em 2040 do que em 2020.

Apesar de todos os avanços na medicina, o número de mortes por cancro também aumentou, de 6,2 milhões em 2000 para 10 milhões em 2020. Mais de uma em cada seis mortes é causada pelo cancro.

Envelhecimento e vida sedentária contribuem para o aumento

O aumento da incidência do cancro da mama deve-se a "uma conjunção de vários fatores", como assinala Álvaro Rodríguez-Lescure, presidente da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM), ao jornal El Pais. Entre eles, o médico destaca, por um lado, “o aumento do diagnóstico com técnicas de rastreio populacional” - que permite identificar mais casos - e por outro, factores sociais como o envelhecimento da população, atraso na maternidade, menos amamentação, não ter filhos ou tomar o contraceptivo oral.

Outros fatores que contribuem para a doença são "obesidade, estilo de vida sedentário, consumo de álcool e dietas inadequadas".

Isto também explica que a incidência de cancro da mama seja superior nos países mais desenvolvidos. No entanto, o recente relatório da OMS alerta que a incidência "está a crescer rapidamente na América do Sul, África e Ásia, bem como no Japão e na Coreia do Sul", regiões onde tradicionalmente tem sido baixa.

Mudanças sociais como a integração das mulheres no mundo do trabalho, o que as obriga a adiar a gravidez, ou no estilo de vida, como a redução da atividade física, fazem com que, segundo os autores do estudo, as mulheres nesses países tenham um perfil cada vez mais semelhante ao das ocidentais e portanto, os números do cancro da mama também tendem a se igualar.

Maria João Caetano