O início de 2020 trouxe consigo uma epidemia que se está a espalhar pelo mundo a grande velocidade. O novo coronavírus, que teve origem na cidade chinesa de Wuhan, já chegou a cerca de 40 países.

Com o aumento exponencial de casos em países como Itália ou Irão, as autoridades de saúde mundiais começam a acionar vários mecanismos de alerta.

Quais são os sintomas?

Sendo um coronavírus, esta é uma doença essencialmente do foro respiratório, e os sintomas que causa são muito semelhantes a uma pneumonia comum.

Segundo o Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC, na sigla original), febre, cansaço, tosse, dificuldades respiratórias e dores musculares são os sintomas mais comuns nesta doença.

Como é feita a transmissão?

Depois de algumas dúvidas iniciais, estudos comprovaram que o coronavírus é transmissível entre humanos. Cada vez que uma pessoa infetada espirra ou tosse, liberta gotículas, que podem entrar em contacto direto com outras pessoas ou ficar em superfícies, que poderão ser tocados por uma pessoa não infetada, que entretanto pode contrair a doença.

Ainda não existem dados concretos sobre quanto tempo fica o vírus ativo em superfícies, mas as autoridades acreditam que pode chegar a vários dias.

Como prevenir o contágio?

  • Lavar as mãos: este processo, que deve ser repetido várias vezes ao dia, minimiza o risco de contágio e de propagação do vírus.

Lavar regular e cuidadosamente as mãos com desifentante ou água e sabão", é a recomendação da Organização Mundial de Saúde.

  • Distância social de um metro: a Organização Mundial de Saúde (OMS) também faz referência a uma distância de "segurança", no caso de haver alguém a espirrar ou a tossir.
  • Evitar tocar na boca, nariz e olhos: as mãos estão em contacto com várias superfícies, e são uma das principais fontes de contágio, até porque o vírus consegue sobreviver em determinados locais e objetos durante algum tempo.
  • Boa higiene respiratória: a recomendação da OMS vai para a utilização do cotovelo para tapar a boca ou o nariz sempre que haja necessidade de tossir ou espirrar.
  • Em caso de sintomas, procurar ajuda: a recomendação passa por seguir as diretivas das autoridades locais. Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde aconselha a utilização da linha Saúde 24.
  • Manter-se informado e seguir as recomendações: são as autoridades oficiais que têm as informações mais atualizadas.

O que é feito em risco de contágio?

O ECDC lançou recomendações europeias relativas ao que fazer quando se está perante um caso suspeito ou confirmado do COVID-19. As diretivas variam consoante os casos, e a primeira avaliação a ser feita é o tipo de exposição.

Caso o risco de exposição tenha sido reduzido, as autoridades aconselham que a monitorização seja feita pela própria pessoa, que deve verificar o seu estado febril e sintomas durante 14 dias. Se nenhum dos sintomas surgir ao fim desse período, o doente deve ser dado como fora de risco.

Em caso de risco de exposição elevado, a monitorização deve ser feita pelas autoridades de saúde do país durante os 14 dias seguintes à última exposição eventualmente contagiosa. Neste caso são ainda deixadas as recomendações de evitar o contacto social ou viajar, além de o doente dever estar disponível e acessível às autoridades de saúde. Apresentando qualquer um dos sintomas, nomeadamente a febre, o paciente deve ser isolado e procurar ajuda médica imediata.

Quais são os grupos de risco?

A OMS refere que este novo coronavírus continua a ser estudado, mas já houve conclusões que apontam uma maior correlação entre a mortalidade e a idade avançada dos doentes.

Outros grupos de risco, como pessoas com condições médicas prévias ou sistema imunitário suprimido também configuram entre os grupos de risco. Entre estas doenças, as autoridades de saúde destacam disfunções na pressão arterial, doenças cardiovasculares ou diabetes.

Existe alguma vacina ou tratamento?

Embora as autoridades estejam a trabalhar para encontrar uma vacina, não foi ainda possível alcançar uma conclusão.

Para já, o que está a ser feito pelas equipas médicas é tratar os sintomas, e não a doença em si. Até ao momento já foram curadas quase 30 mil pessoas.

Preciso de usar máscara?

As recomendações de todas as autoridades de saúde são claras. Uma pessoa saudável não necessita de utilizar a máscara, salvo se for prestador de cuidados de saúde ou esteja em contacto com alguém potencialmente intetado. Assim, as recomendações da utilização da máscara, segundo a OMS, são as seguintes: 

  • Se estiver saudável, só precisa de utilizar máscara se estiver a tomar conta de alguém com suspeitas de ter coronavírus.
  • Use a máscara se estiver a espirrar ou a tossir.
  • As máscaras só são eficazes quando usadas em combinação com uma boa higiene corporal.
  • Se utilizar máscara, deve saber como colocá-la e retirá-la devidamente.
  • Antes de colocar a máscara, deve lavar as mãos com desinfetante ou água e sabão.
  • Cobra a boca e o nariz com a máscara e certifique-se de que não existem locais de saída entre a máscara e a cara.
  • Evite tocar na máscara enquanto a utiliza. Se tocar, lave as mãos antes.
  • Substitua a máscara por uma nova assim que a antiga ficar húmida e não reutilize máscaras descartáveis.
  • Para remover a máscara, faça-o através da parte de trás, não tocando na frente da máscara.

Qual o período de incubação?

Números oficiais apontam para um período de incubação compreendido entre um e catorze dias, mas alguns cientistas já avançaram a possibilidade de o risco de contágio existir até 24 dias após o último contacto.

 A OMS refere que o risco é especialmente elevado nos primeiros cinco dias, fazendo a ressalva de que vai continuar a atualizar as informações relativas ao período de incubação.

Posso voltar a ter o coronavírus depois de ter sido curado?

Esta quinta-feira foi reportado um caso de uma mulher que tinha testado positivo para o coronavírus uma segunda vez. A notícia foi avançada pelos meios de comunicação japoneses, e é referente a uma cidadã com cerca de 40 anos, que vive em Osaka.

A informação acabou por ser confirmada pelo ministro da Saúde japonês, pelo que tudo indica que o vírus pode ser contraído mais do que uma vez.

Cuidados a ter com animais

Vários estudos apontam que este novo coronavírus teve origem numa fonte animal, a partir do mercado de Wuhan. A OMS ainda não confirmou, mas faz referência a outros casos de coronavírus, como o SARS ou MERS, que foram transmitidos por animais.

Para se proteger durante visitas a locais como mercados de animais vivos, evite o contacto direto com animais e superfícies em contactos com animais", informa a OMS.

Relativamente aos animais de estimação, as autoridades continuam a afirmar que o vírus não é transmissível a cães ou gatos.

António Guimarães