Em Portugal morrem 27 pessoas por dia vítimas de morte súbita, uma patologia ainda pouco conhecida da população mas que mata mais do que o cancro, o AVC e o VIH juntos, segundo dados da Associação Portuguesa de Arritmologia.

Partindo de diversos estudos internacionais sobre morte súbita, foi feita a extrapolação para a população portuguesa, tendo-se concluído que esta patologia, do foro cardíaco, mata anualmente 10 mil portugueses, explicou à agência Lusa João Primo, presidente da Associação Portuguesa de Arritmologia, Pacing e Electrofisiologia (APAPE), que organiza um encontro sobre o tema em Cascais, nos próximos dias 12 e 13.

Os mesmos dados dão ainda conta que 260 mil portugueses são hospitalizados anualmente devido a insuficiência cardíaca, o que representa uma média de 712 internamentos diários.

Alguns dos casos de morte súbita ocorrem em indivíduos «aparentemente saudáveis», diz João Primo, sublinhando tratar-se de um problema «subvalorizado», mas cuja taxa de mortalidade é superior à do cancro da mama, cancro do pulmão, AVC (acidente vascular cerebral) e VIH (vírus da imunodeficiência humana) juntos.

«A definição de morte súbita e que gera estatísticas é a morte súbita cardíaca e que geralmente ocorre dentro de uma hora relativamente ao início de sintomas, o que não quer dizer que não tivesse havido já sintomas anteriores», disse o especialista.

No entanto, a morte súbita também pode ser «perfeitamente assintomática» e ser a «primeira manifestação», embora a maior parte seja antecedida de sintomas discretos e muitas vezes desvalorizados.

A sintomatologia é variável e consiste em dor no peito quando se exerce alguma força, palpitações rápidas ou perda súbita de consciência que se recupera rapidamente, explicou.

Relativamente às causas possíveis, estão o enfarte e a doença coronária, o colesterol elevado e a hipertensão. Mas também há casos em que o coração é normal e o distúrbio é eléctrico. «São determinadas síndromes em que o defeito é ultraestrutural», adiantou João Primo.

Logo que tenham qualquer uma destas queixas, como dor no peito ou sensação de desmaio, os doentes devem consultar o médico de família, que poderá pedir um exame, aconselha o especialista, sublinhando que o electrocardiograma é um bom elemento de rastreio para prevenir morte súbita.

Embora a população idosa esteja mais em risco, João Primo alerta para a má alimentação e o tabaco, como importantes responsáveis deste tipo de patologia, e para a atenção acrescida que deve ter a população acima dos 40 anos com determinados comportamentos, como iniciar actividade física muito intensa e sem ter feito um exame prévio que habilite à prática desportiva.
Redação / CP