O Hospital São Francisco Xavier (Lisboa) passou a integrar a Via Verde do Acidente Vascular Cerebral (AVC), melhorando assim a resposta aos doentes e diminuindo a mortalidade associada à doença, a principal causa de morte em Portugal.

No Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) já funcionava a Unidade de Acidentes Vasculares Cerebrais (UAVCs) que foi, esta semana, integrada na rede de unidades da Via Verde do AVC, como uma unidade de tipo A, o nível mais diferenciado, refere esta terça-feira, em comunicado, o CHLO, citado pela Agência Lusa.

A assistência na unidade, que tem seis camas e funciona no Hospital de S. Francisco Xavier, é assegurada por uma equipa multidisciplinar e a gestão é partilhada pela Medicina Interna e a Neurologia.

«O internamento nestas unidades permite que estes doentes sejam melhor tratados, diminui a taxa de complicações, a mortalidade e os custos por doente tratado, melhorando a recuperação funcional e o prognóstico de uma forma global», adianta o CHLO.

Estes resultados são explicáveis pela introdução de protocolos, melhores registos, mais formação, experiência dos profissionais e pela integração de cuidados de uma equipa multidisciplinar.

A entrada em funcionamento da via verde intra-hospitalar vai também permitir a utilização atempada de terapêutica trombolítica, que possibilita o desfazer do coágulo, nos doentes com indicação e que cheguem ao hospital nas primeiras quatro horas e meia após o início dos sintomas.

O encaminhamento dos doentes para estas unidades é feito pelo Centro de Orientação Urgente (CDU) do INEM após a recepção da chamada pelo 112.

Em Portugal. ocorrem seis AVC por hora, o que representa mais de 240 mil dias de internamento. A luta contra esta doença é uma prioridade no Plano Nacional de Saúde 2004-2010, que apresenta como metas para 2010 a redução da taxa de mortalidade por AVC dos indivíduos com menos de 65 anos, de 17,9 para 12 por 100.000.

De acordo com a Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC), a taxa de mortalidade por AVC é de cerca de 200 por 100.000 habitantes (o que corresponde a morrerem em cada hora dois portugueses), sendo das mais elevadas da União Europeia. Esta doença é ainda responsável por um elevado grau de incapacidade: metade dos doentes que sobrevivem a um AVC fica com limitações nas actividades da vida diária.