O presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da SIDA (APECS), Rui Sarmento e Castro, admitiu esta terça-feira que a cura para a infeção por VIH/Sida possa ser encontrada a «médio prazo».

«Têm sido apresentados alguns estudos sobre essa possibilidade. Há três ensaios clínicos diferentes, com metodologias diferentes, mas todos convergem para o mesmo objetivo: a erradicação do VIH» defendeu o especialista, em entrevista à agência Lusa.

Rui Sarmento e Castro, também é diretor clínico do Hospital de doenças infetocontagiosas Joaquim Urbano, no Porto, considerou, no entanto, que «ainda é cedo» para se ter certezas absolutas.

Este será um dos temas a dominar o IX Congresso Nacional sobre Sida, que decorrerá em simultâneo com o XI Congresso Nacional de Doenças Infeciosas e Microbiologia Clínica, entre quarta-feira e sábado, no Porto.

Rui Sarmento e Castro disse que, devido à eficácia dos novos medicamentos, têm surgido «menos casos novos em Portugal, tal como acontece na Europa e no resto do Mundo».

«Há uma diminuição muito grande da transmissão da infeção e isso tem a ver, fundamentalmente, com a eficácia dos medicamentos. Isto é, se eu tenho um indivíduo infetado, que [com os medicamentos] fica com carga vírica muito baixa, esta pessoa praticamente não passa a infeção a outros», explicou.

«Apesar de todas as campanhas e de toda a informação que tem sido disponibilizada em Portugal, ainda continua a existir uma certa mentalidade facilitista. Cerca de 60 % dos doentes novos são heterossexuais, ou seja, fazem parte de um grupo que é a imensa maioria da população portuguesa. As pessoas ainda não perceberam que uma relação sexual desprotegida com uma pessoa que não se conhece pode ser um risco para ter a infeção», sustentou.

O especialista defendeu ainda a necessidade de fazer o diagnóstico da doença mais cedo, ou seja, «alargar os grupos de rastreio da infeção».

«Era preciso termos uma abordagem e um conceito mais largos, em termos do diagnóstico e das pessoas a rastrear. Se fizéssemos mais diagnósticos e tratássemos essas pessoas contribuiríamos ainda mais para a diminuição da infeção, diminuiríamos a cadeia de transmissão».

Mais de 500 especialistas nacionais em doenças infeciosas e VIH/SIDA estarão reunidos para analisar os desafios clínicos da Infeciologia em Portugal, a luta contra a SIDA, o problema das co-infeções, como a tuberculose e a hepatite C, a prevenção e o tratamento, numa altura em que Portugal é o sexto país da Europa com maior taxa de novos casos de VIH/SIDA, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde divulgados recentemente.

Numa mesa redonda sobre «A luta contra a SIDA» irão intervir António Diniz, diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA, e Eugénio Teófilo, médico no Hospital dos Capuchos, que falará sobre a possibilidade de cura da infeção VIH/SIDA, abordando as investigações mais recentes que têm sido desenvolvidas a nível internacional.
Redação