Uma inspeção da Entidade Reguladora da Saúde aponta uma série de falhas ao Hospital Dona Estefânia, um dos maiores hospitais pediátricos do país.

O inquérito agora tornado público revela várias situações de incumprimentos das regras impostas pela DGS para minimizar os riscos de contágio de covid-19 no hospital.

A investigação teve origem numa queixa de uma enfermeira, que alertava para uma situação "preocupante e alarmante" no hospital pediátrico D. Estefânia.

A deliberação, agora divulgada pela TSF, é referido o incumprimento de regras de ventilação nos espaços dedicados à doença, destacando a inexistência de "zonas de transição covid - não covid com relações de pressão que evitem a contaminação da envolvente e de profissionais que circulem em espaços não covid".

A investigação também aponta falhas nas áreas de isolamento, na circulação de doentes covid na urgência, onde faltam zonas dedicadas a estes casos, separando os suspeitos de infeção na triagem.

O documento também revela problemas detetados na morgue, como o revestimento "a azulejo que se apresenta danificado", com uma parede, junto à entrada, no interior do espaço, que "apresenta fendas profundas, em risco de colapso".

Na resposta à entidade reguladora, a administração do Centro Hospitalar Lisboa Central refere que as instalações "têm mais de 150 anos e não estão estruturalmente preparadas para enfrentar uma pandemia com este grau de exigência".

“As soluções para os problemas aqui encontrados serão mais morosas e dispendiosas e até difíceis de implementar em plena crise (no auge da batalha não podemos destruir as trincheiras para construir novas, correndo o altíssimo risco de ficarmos desamparados)".

Em resposta à TVI, o Centro Hospitalar diz que, no essencial, estão resolvidas as inconformidades e que a maioria das situações estava em fase de resolução ainda antes da vistoria da Entidade Reguladora. Acrescentando que as situações descritas não colocaram em causa a qualidade da prestação de cuidados aos doentes. 

Hugo Pedro Capela