O traficante de droga português Eduardo António Serra Portela, conhecido como «Pinóquio», entrou no Brasil legalmente, após escapar da prisão em Portugal. A garantia foi dada por Marcelo Werner, da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal na Baía, em declarações à Lusa.

O delegado afirmou que a entrada do narcotraficante no país ocorreu em 2009, logo após a sua saída precária de uma prisão portuguesa. De acordo com Marcelo Werner, quando «Pinóquio» aterrou no Brasil, as autoridades brasileiras ainda não tinham sido informadas por Portugal de que ele era um foragido.

«O nosso sistema de trânsito registou a entrada dele no Brasil, mas, para nós, ele era um português qualquer», afirmou Werner, para quem o narcotraficante pode ter-se feito passar por um turista.

Como não tinha visto de permanência, Portela tornou-se ilegal no Brasil 90 dias após a sua entrada. O delegado confirmou que o Governo português fez o pedido de extradição em dezembro de 2010, após ter a informação de que Portela estava na Baía. O narcotraficante foi preso a 02 de Junho, no aeroporto de Salvador, quando tentava viajar para Lisboa num voo da TAP, e por ser alvo de um mandado internacional de busca.

«Pinóquio» foi encaminhado para uma prisão, para aguardar a extradição, mas sentiu-se mal 15 dias depois e foi transferido para um hospital. Marcelo Werner esclarece que funcionários do hospital verificaram que Portela havia ingerido 21 cápsulas de cocaína e morreu na sequência de uma infeção provocada pelo rompimento de cápsulas.

A polícia brasileira diz que a droga não havia sido descoberta durante o exame de corpo de delito, realizado após a prisão. O narcotraficante também não informou que as cápsulas estavam no seu corpo.

«Pinóquio» foi condenado em 1998 pela justiça portuguesa no âmbito do processo «Colombian Connection». Era acusado de participar numa rede que levava cocaína e outras drogas do Brasil e da Colômbia para Portugal e Espanha.
Redação / MM