O Ministério Público (MP) do Porto pediu esta segunda-feira a condenação de quatro acusados por traficar droga para a cadeia de Coimbra, sobretudo um recluso a cumprir pena por triplo homicídio, que seria o mentor do esquema.

Todos devem ser condenados, em especial o Rui [Mesquita Amorim, que em 1995 protagonizou o massacre de Vila Fria, Viana do Castelo, matando à facada três familiares] porque era o dono da droga”, disse o procurador do processo, ao sintetizar o sentido das suas alegações finais, no tribunal criminal de São João Novo, no Porto.

Já as defesas dos quatro arguidos oscilaram entre o pedido total de absolvição ou a admissão de condenações a penas suspensas. “Próximas do mínimo”, no dizer de um dos advogados.

Segundo a acusação, Rui Mesquita Amorim compraria a droga a um antigo colega de reclusão entretanto libertado e cujo paradeiro é agora desconhecido da Polícia Judiciária (PJ).

Trata-se de Fernando Borges, um membro do chamado “Gangue de Valbom”, grupo de Gondomar que em 2006 e 2007 assaltou dezenas de ourivesarias e farmácias.

O esquema foi montado, ainda segundo o MP, com o auxílio das duas mulheres: uma amiga que visitava regularmente o triplo homicida e a mulher do outro recluso, condenado por roubo.

Enquanto os dois homens arguidos cumprem penas por outros crimes, as duas mulheres estão em prisão preventiva à ordem deste processo, no qual estão em causa tráfico de estupefacientes agravado e branqueamento de capitais.

O principal arguido do processo protagonizou em 1995 o massacre de Vila Fria, Viana do Castelo, matando à facada um tio, uma tia e um sobrinho, e em abril de 2002 consumou três crimes de rapto simples e um de extorsão agravada, em Portuzelo, no mesmo concelho do Alto Minho.

É também o homem que no dia de Natal de 2001 se evadiu, junto ao hospital de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, de uma carrinha celular do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, onde cumpria uma pena de 20 anos de cadeia.

Em 2017, já na cadeia de Coimbra, passou a beneficiar de saídas precárias e, segundo o processo agora em julgamento no Juízo Central Criminal do Porto, aproveitava essas saídas para comprar droga destinada a tráfico no interior no estabelecimento prisional de acordo com o MP.

A leitura da decisão judicial deste caso está agendada para a tarde do dia 18.