A Fundação Filos propôs-se esta sexta-feira, activar em dois meses, um projecto de 200 mil euros para respostas integradas aos mil e 153 toxicodependentes recenseados na zona oriental do Porto, 420 dos quais sem-abrigo, informou a agência Lusa.

O projecto, designado Gabinete de Respostas Integradas a Toxicodependentes (GRITO) e hoje apresentado, passa pela criação de espaços para «consumo assistido» (a Filos rejeita a expressão «salas de chuto»), atendimento psicossocial, enfermagem, consultório médico, serviço de refeições ligeiras, centros de abrigo transitório e espaços para terapia ocupacional.

Para a montagem do projecto, o presidente da Filos, José Maia, pediu a colaboração da Câmara Municipal do Porto, na cedência de terrenos para as instalações contentorizadas, e do Instituto da Droga e Toxicodependência, ao nível dos financiamentos.

O dirigente elogiou, também, o projecto Porto Feliz, dinamizado pela Câmara do Porto, através da Fundação Social do Porto, considerando-o «uma boa resposta ao nível do tratamento e da reinserção».

Segundo José Maia, têm havido «reuniões informais» com a Fundação Social do Porto, sobre o combate à toxicodependência, mas não com a cúpula política da autarquia que, conforme sublinhou, «não comparece, por sistema», à apresentação de iniciativas da Filos.

O GRITO, agora apresentado, pretende dar sequência ao projecto Arrimo, também da Filos, que incluía a troca de seringas e a distribuição de preservativos, mas não a assistência no consumo.

Só em 2004, foram distribuídas 25 mil seringas por mês, ritmo que abrandou nos anos seguintes, mas que constituiu recorde nacional.

De acordo com os dados fornecidos, no âmbito do Arrimo, foram remetidos para tratamento hospitalar ou em centro de apoio a toxicodependentes mil e 469 pessoas.

Entre a população toxicodependente assistida no âmbito do Arrimo, 84 por cento sofriam de hepatites (B ou C) e 61 por cento eram portadores do vírus da sida.

Na sessão desta sexta-feira, a Filos apresentou também um programa de educação e qualificação de adultos, especialmente concebido para beneficiários do rendimento social de reinserção e para as populações dos bairros de S. João de Deus, Cerco do Porto e Lagarteiro.

Designado «Formação - Passaporte para a Inclusão», o projecto prevê três níveis de actuação, em vertentes com a cidadania, saúde, lides domésticas, relacionamento familiar e acompanhamento do percurso escolar das crianças pelos sues pais.

Só este ano, a Filos recebeu 87 pedidos para qualificação escolar e, em 12 anos de existência, a instituição, preparou para o mercado de trabalho trezentas pessoas em 25 cursos de formação profissional.