O tempo padrão estabelecido pela Ordem dos Médicos para a realização de ecografias obstétricas é de 40 minutos. A família do bebé que nasceu em Setúbal com malformações graves, garante que o médico Artur Carvalho demorava cerca de 5 minutos a realizar o exame.

O tempo padrão é um indicador que serve sobretudo para estabelecer o intervalo de tempo entre a marcação de consultas e outros atos médicos. Todos os serviços de saúde, quer públicos quer privados, devem cumprir o tempo padrão.

No caso da ecografia feita no primeiro trimestre de gravidez, a duração é de 40 minutos e nas duas restantes, do segundo e terceiro trimestres, é de 30 minutos.

Apesar de considerar que as normas existentes em Portugal asseguram a qualidade dos atos médicos, o caso do bebé Rodrigo levou, entretanto, a Ordem dos Médicos a criar uma competência específica na área da ecografia de acompanhamento da gravidez.

Inspeção não abriu inquérito, mas acompanha processo do hospital

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) decidiu não abrir um inquérito, mas acompanha o inquérito instaurado pelo Centro Hospitalar de Setúbal.

O Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Setúbal deliberou a abertura de processo de Inquérito sobre as circunstâncias noticiadas, pelo que, a IGAS apenas fará o acompanhamento do desenvolvimento do inquérito instaurado" pelo centro hospitalar, refere uma resposta da Inspeção enviada à agência Lusa.

Assim, a IGAS decidiu seguir o inquérito do hospital, num processo de acompanhamento.

O bebé Rodrigo nasceu este mês no Hospital de Setúbal, sem olhos, nariz e parte do crânio, mas a mãe não foi acompanhada naquela unidade nem realizou lá as ecografias de seguimento da gravidez.

As ecografias foram realizadas pelo médico Artur Carvalho numa clínica privada em Setúbal, apesar de o obstetra exercer também no Centro Hospitalar público. O médico que realizou três ecografias à mãe de Rodrigo não detetou ou não informou os pais de quaisquer malformações.

O Centro Hospitalar de Setúbal anunciou já a abertura de um inquérito para apurar se foram efetuados corretamente todos os procedimentos no parto do bebé, no dia 7 de outubro, no Hospital São Bernardo.

Atendendo à reclamação apresentada por parte da família, o Centro Hospitalar de Setúbal deliberou proceder à abertura de um processo de inquérito, para apurar se tudo foi feito de acordo com a `legis artis´ desde que a parturiente deu entrada no bloco de partos", referia um comunicado da administração do hospital.

Na terça-feira, o Conselho Disciplinar do Sul da Ordem dos Médicos decidiu suspender preventivamente o obstetra envolvido no caso.

O Ministério Público abriu, por sua vez, um inquérito, no seguimento de uma queixa apresentada pela mãe.

/ CE