A investigação britânica à morte do português Edir da Costa, numa operação policial no ano passado, em Londres, concluiu que o uso da força foi "adequado", mas será instaurado processo disciplinar ao agente pelo uso indevido de gás pimenta.

De acordo com o relatório divulgado hoje pela Agência Independente para a Conduta Policial britânica, responsável pela investigação de morte ou casos suspeitos do uso excessivo de força, a operação policial foi justificada.

Edir Frederico da Costa, conhecido por Edson, foi detido por agentes do Serviço de Polícia Metropolitana (MPS) em Newham, por volta das 22:00 horas no dia 15 de junho de 2017, depois de os policiais mandarem parar o automóvel onde estava o português.

Os agentes foram enviados como parte de uma operação focada no combate às atividades relacionadas com gangues", refere, tendo a polícia mandado parar o automóvel porque este era um veículo alugado e esta é uma tática usada regularmente por grupos criminosos na capital britânica.

Antes ou durante a detenção, Edir da Costa tentou engolir uma série de cápsulas que, revelou hoje a Agência britânica, continham heroína e cocaína na forma de craque.

Para conseguir conter o português, os polícias usaram algemas e gás pimenta, o que fez o Edir da Costa perder os sentidos, mas os primeiros socorros só foram realizados por uma segunda equipa de agentes.

O português de 25 anos foi hospitalizado e permaneceu em coma até morrer no dia 21 de junho de 2017, mas hoje a Agência reiterou que a autópsia não encontrou lesões no pescoço, na coluna ou hemorragia cerebral, como chegou a ser sugerido.

A causa da morte foi "encefalopatia hipóxico-isquémica - falta de oxigénio no cérebro causada por uma via aérea bloqueada", vincou, declarando que a forma como Edir da Costa foi detido "foi necessária e proporcional".

A investigação, que analisou vídeos e ouviu testemunhas, notificou cinco agentes policiais por conduta indevida e determinou que um agente terá de responder por conduta imprópria sobre a forma como usou o gás pimenta.

O mesmo agente e dois outros vão ser advertidos sobre a velocidade com que chamaram os serviços de emergência e um dos agentes vai ser advertido sobre o fornecimento de informações incorretas sobre o estado de saúde de Costa.

Um quarto agente deverá também ser advertido sobre um comentário sobre as razões para realizar a operação que "revelou preconceitos que o agente pode ter sobre a idade, raça e sexo do motorista em relação à marca e ao custo do veículo".

O relatório conclui que "não houve indicação de que as ações dos agentes na realização da operação foram discriminatórias".

Por fim, a investigação identificou "conselhos incoerentes dados à polícia sobre a busca de pessoas suspeitas de colocar drogas ou outros pacotes na boca, pelo que esta ação foi suspensa até ser feira uma revisão abrangente pela Faculdade de Medicina Forense, pelo Conselho Nacional de Polícia e pelo Instituto da Polícia.

Edir da Costa morreu algumas semanas antes de Rashan Charles, que também morreu durante uma operação policial em Londres, o que motivou uma série de protestos, alguns dos quais violentos, contra a violência usada pelas autoridades contra jovens negros.

Um inquérito judicial às causas da morte de Edir da Costa está previsto para maio de 2019.