A poucas semanas do final do primeiro período ainda há mais de 30 mil alunos sem professores em algumas disciplinas. As contas são da FENPROF.
Desde 2013 que não havia tantos docentes a reformarem-se e há cada vez menos jovens a ingressarem na carreira

Joana Rosas é professora numa escola básica na zona de Lisboa, mas o filho, de apenas 15 meses, está no Norte, ao cuidado dos avós. Para estar com o bebé, todas as semanas faz duas viagens de 400 quilómetros.

Começou há 11 anos. Natural de Caminha, já esteve na margem sul do Tejo, em Santarém e até em Angola. Agora em Lisboa, tem de dividir casa com dois colegas porque o salário não lhe permite viver só com o filho.

Os custos com as deslocações muitas vezes não compensam e afastam os mais jovens da carreira. A falta de professores, numa classe envelhecida, tem vindo a agravar-se.

Este ano, as reformas dispararam: foram 1.649, o valor mais alto desde 2013. Como se isso não bastasse, o número de docentes que não aceitaram horários aumentou quase 70%, segundo o Governo.

Setúbal é um dos distritos onde o problema é mais evidente. Na Escola Secundária Barbosa du Bocage, os horários por preencher abrangem 400 alunos.

Apesar das dificuldades, há quem lute pela carreira e pelo tempo de serviço. Como Cecília Barros, uma professora do Norte do país que dá aulas em Lisboa. Está longe do marido e do filho, de dois anos.

O afastamento da família e a grande instabilidade levam muitos a desistir.

Em Lisboa, a falta de professores tem sido uma dor de cabeça desde o início do ano letivo. No Agrupamento de Escolas Dom DInis, a situação ainda afeta mais de 200 estudantes.

Em oito anos, aposentaram-se quase 15 mil docentes, mas apenas 12 mil ingressaram na carreira, o que parece confirmar que há cada vez menos jovens a escolherem a profissão.

Sofia Santana