A nova ministra da Educação, Isabel Alçada, diz que «não há qualquer suspensão» do actual modelo de avaliação dos professores, apesar de prometer «considerar novas formas de relacionar a avaliação com o estatuto da carreira docente».

«Neste momento vamos cumprir a lei. Não há qualquer suspensão. Há um primeiro ciclo que está quase a terminar (...) Todos os professores, até Dezembro, vão completar o seu processo de avaliação», afirmou a ministra em conferência de imprensa, depois de um longo dia de conversações com os sindicatos de professores.

«De hoje para o futuro, vamos considerar novas formas de relacionar a avaliação com o estatuto da carreira docente. (...) Tudo faremos para que os professores se reconheçam na avaliação», disse a ministra, adiantando que o ideal é não fazer com que os professores despendam «tempo excessivo com a avaliação».

«Os professores querem a avaliação»

Isabel Alçada afirmou que «há muitos docentes que já entregaram os elementos de avaliação. Estimamos que entre 40 e 50 mil tenham completado o processo», afirmou.

Sobre se este ciclo de avaliação, que termina em Dezembro, terá ou não efeitos na progressão na carreira e o que acontece aos professores que não completem o processo de avaliação neste primeiro ciclo, a ministra limitou-se a afirmar que «a Avaliação está consagrada na lei e os efeitos também».

Em relação ao actual modelo de avaliação, Isabel Alçada considerou que «na Educação, neste e noutros aspectos do trabalho dos professores, nada tem que se considerar definitivo». Definitivo mesmo, só a necessidade de se fazer uma avaliação, siga ela o modelo que seguir: «a avaliação dos professores é uma necessidade. Os professores querem a avaliação».

Sobre quem avalia quem, a ministra Isabel Alçada diz que é preciso ter avaliadores com formação. «Precisamos de avaliadores competentes. Um dos aspectos que temos de considerar é a formação dos avaliadores», disse, acrescentando que «os avaliadores têm de desenvolver com os professores novos processos de ir mais longe junto dos seus alunos».

Dia de «comunicação franca e aberta»

A ministra Isabel Alçada saiu desta primeira jornada com os sindicatos satisfeita. «Houve uma comunicação franca e aberta sobre as questões que se colocam», sublinhou a ministra, acrescentando que o Ministério está «aberto ao diálogo».

Também satisfeitos saíram os sindicatos. Mário Nogueira, da Fenprof, disse, à saída do encontro com a ministra que tem «os dois pés assentes na terra», mas sempre vai dizendo que «esta ministra tem um passado nas escolas, que faz com que o que diz é do que sabe e não do que lhe dizem».

Apesar do optimismo, João Dias da Silva, da FNE, saiu do encontro com a ministra convencido de que o actual modelo tem os dias contados . «A FNE dá 60 dias ao Ministério para terminar as negociações sobre o processo de avaliação. Não podemos esperar muito mais tempo», disse.

O primeiro dia «a sério» como ministra parece ter corrido bem a Isabel Alçada. A ministra até ganhou um arranjo de flores, que lhe entregaram durante a conferência de imprensa.
Redação / Manuela Micael