A ministra da Educação afirmou esta sexta-feira que as escolas enfrentam «obstáculos e dificuldades» sem paralelo na história do sector para responderem ao alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos.

A ministra Maria de Lurdes Rodrigues, que intervinha na cerimónia comemorativa dos 100 anos do Liceu Camões, em Lisboa, considerou o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos «uma das mais importantes medidas» do mandato que agora termina, mas admitiu que esta alteração implicará o aumento das «dificuldades e dos obstáculos hoje já sentidos» nas escolas.

«É necessário ter consciência de quais são as consequências para as escolas e para o trabalho dos professores de estarem na escola, obrigatoriamente, todos os jovens até aos 18 anos», afirmou.

Os estabelecimentos de ensino têm hoje a missão de «acolher e integrar todos os jovens, sem excepção, com tudo o que isso significa em termos de heterogeneidade, condições, origens, motivações e expectativas em relação à escola».

«Os obstáculos e as dificuldades, a complexidade das situações que as escolas enfrentam hoje não têm paralelo na história da educação», reconheceu, referindo que as escolas e a política educativa têm de responder a três desafios, entre os quais o «da autonomia e do reforço da capacidade de gestão e de liderança das escolas».

Também o Estado tem a obrigação, sustentou, de «garantir que a escola pública tem e terá todas as condições, todos os recursos humanos e profissionais, todos os recursos físicos e tecnológicos, todos os recursos organizacionais e de gestão para cumprir as metas que hoje lhe atribui». «Não podemos desistir de nenhum dos nossos jovens. Nenhuma criança, adolescente ou jovem pode ser deixado para trás», sublinhou ainda.
Redação / SM