Cinco das sete escolas básicas de 1.º ciclo do Agrupamento de Santiago do Cacém estão desde o início do ano lectivo sem auxiliares de ação educativa e assim vão continuar durante, pelo menos, mais um mês, escreve a Lusa.

A escola básica de Cruz de João Mendes, que tem 16 alunos, é um dos estabelecimentos de ensino afectado, onde, por não haver funcionários, também não houve na primeira semana de aulas Actividades Extra-Curriculares (AEC).

Os alunos «estão praticamente sozinhos» durante o intervalo no período da manhã e à hora do almoço, disse à Lusa Ana Ventura, mãe de uma das crianças, explicando que também «não há um apoio de continuidade», o que obrigou a que os pais tenham ido toda a semana buscar os filhos às 15h30.

Contactada pela Lusa, a directora do Agrupamento de Escolas de Santiago do Cacém, Paula Lopes, justificou a situação afirmando que «só foi dada autorização [pelo Ministério da Educação] para passar ao procedimento concursal [para a contratação de auxiliares], na terça-feira».

No entanto, assegurou, o agrupamento solicitou a colaboração das juntas de freguesia para ajudarem com o acompanhamento das crianças até que os funcionários estejam contratados, o que poderá acontecer só «daqui a um mês ou um mês e meio».

Ainda assim, o concurso autorizado pelo ME, e que é lançado localmente pelo agrupamento de escolas, apenas prevê a contratação a tempo parcial, com um máximo de quatro horas diárias para cada estabelecimento de ensino.

Contudo, o ideal, na opinião de Ana Ventura, que tem um filho no 2.º ano de escolaridade em Cruz de João Mendes, seria ter pelo menos uma auxiliar a tempo inteiro.

«Há escolas em condições semelhantes que têm uma pessoa a tempo inteiro, o que seria normal, porque a pessoa não está ali de braços cruzados. Recebe os alunos de manhã, acompanha o almoço, acompanha as AEC e faz a limpeza, portanto tem trabalho que chegue», argumentou.

A vereadora da Educação na Câmara de Santiago do Cacém, Margarida Santos, reforçou este argumentos, defendendo que «quatro horas diárias são insuficientes para acompanhar o período escolar», o que é «preocupante».

Para além de Cruz de João Mendes, também as escolas da Abela, Arealão, São Bartolomeu e ainda Santa Cruz, do mesmo agrupamento, estão na mesma situação.
Redação / PP