Mais de cem presidentes de conselhos executivos de escolas, reúnem-se no sábado em Lisboa, depois de, esta quinta-feira, os seus representantes terem transmitido ao Conselho Nacional de Educação as suas preocupações com os últimos desenvolvimentos na aplicação do modelo de avaliação de desempenho, informou a Lusa.

«Transmitimos as nossas preocupações ao professor Júlio Pedrosa, na sequência dos últimos desenvolvimentos (...) que é a ministra entregar aos conselhos executivos a responsabilidade de procederem ou não contra os professores que não entregaram os objectivos individuais», disse a presidente do conselho executivo da Escola Secundária Infanta Dona Maria, em Coimbra, Maria do Rosário Gama, no final da reunião.

«Isso vai colocar em desigualdade os professores que estão numa situação e outros noutra», dependendo da atitude a tomar pelo respectivo conselho executivo no processo de avaliação de desempenho, afirmou.

A última palavra será da Ministra da Educação

A professora considerou que a reunião com Júlio Pedrosa, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), correu bem, mas frisou que quem tem a última palavra é a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.

Sobre o encontro de sábado, a responsável pela escola de Coimbra, indicou que estarão presentes colegas «do Minho ao Algarve», estimando que sejam mais de cem, embora sem precisar um número certo porque «há sempre inscrições de última hora».

No encontro realizado em Fevereiro, em Coimbra, estiveram 212 responsáveis de escolas.

A presidente do conselho executivo da Escola Rainha Dona Amélia, em Lisboa, Isabel Le Gué, afirmou que será discutida a eventual criação de uma associação nacional de dirigentes de escolas públicas, à semelhança do que existe noutros países europeus.

«Este é um movimento espontâneo, sem interesses partidários e creio que nos tem sido reconhecida essa isenção, mas este amadorismo, se por um lado é uma qualidade, a prazo, pode criar alguns problemas», disse a docente, frisando que tudo está ainda «numa fase muito embrionária» e a decisão poderá não ser tomada sábado.

Os responsáveis pelas escolas estão ainda a obter aconselhamento jurídico sobre a matéria.

Isabel Le Gué indicou ainda que estará em discussão a avaliação de desempenho, defendendo a necessidade de «desdramatização e pacificação» sobre a questão dos objectivos individuais.

«Cumpra-se a lei, mas com bom senso.»

«Esta batalha de eventuais penalizações contra professores que não entregaram é uma batalha estéril que não conduz a nada», disse, acrescentando que no ano passado não havia objectivos individuais e os professores contratados, bem como os que estavam na altura de progredir «foram avaliados».

«Para bem das escolas e do sossego do trabalho a fazer é fundamental que se esclareça que os conselhos executivos têm condições para fazer a avaliação sem objectivos individuais», afirmou.

Para a professora, nesta altura «era muito importante que não houvesse diferença de escola para escola».

«Não estamos a pedir a suspensão. Cumpra-se a lei, mas com bom senso», apelou, referindo-se ao ano lectivo em curso.

Para os próximos anos, o objectivo é recolher propostas de avaliação de desempenho que possam ser defendidas junto da tutela. Para o efeito foi já criado um endereço electrónico, disse.
Redação / TG