O número de agressões a profissionais de saúde diminuiu em 2010, tendo sido registados 79 casos, pelo que a injúria e a violência física são as principais agressões de que os profissionais de saúde são alvo, de acordo com um relatório divulgado esta segunda-feira pela Direção Geral da Saúde (DGS).

Em 2007 registaram-se 35 episódios de violência contra profissionais de saúde no local de trabalho, em 2008 foram contabilizados 69 e em 2009, estão assinalados 174 episódios, número que caiu para 79 em 2010 de acordo com o relatório elaborado pelo Departamento da Qualidade na Saúde, Divisão da Gestão Integrada da Doença e Inovação da DGS, noticia a agência Lusa.

Num total de 79 indivíduos, entre os profissionais de saúde vítimas de violência no local de trabalho, 56 são enfermeiros, 16 médicos, 5 são auxiliares de ação médica e 2 são administrativos.

Segundo o Relatório de Avaliação dos Episódios de Violência Contra os Profissionais de Saúde 2010, entre os 79 episódios de violência identificados no ano passado, 45 estão associados à injúria, seguindo-se a violência física, com 32, e a discriminação ou ameaça, com 28.

O mesmo documento, elaborado pelo Departamento da Qualidade na Saúde, Divisão da Gestão Integrada da Doença e Inovação da DGS, garante que existe um «crescimento progressivo da violência física», 13% em 2008, 17% em 2009 e 18% em 2010.

A pressão moral, verificada em 14 indivíduos, a discriminação/ameaça (13) e a injúria (13) dominam a maioria das ocorrências com agressores de idades compreendidas entre os 50-59 anos e entre os 40-49 anos.

Com idades compreendidas entre os 10-29 anos o tipo de violência mais frequente é a violência física, estando registados 17 casos, indica o documento.

O relatório da DGS sublinha que a violência é mais frequentemente perpetrada pelos doentes (38 casos), seguindo-se os familiares dos doentes (21).

Dos 79 casos de violência registados em 2010, 16 das vítimas tiveram de receber tratamento, 13 faltaram ao trabalho. Em 19 casos foram tomadas medidas de apoio à vítima e em 23 situações foi preenchida uma declaração de acidente de serviço, profissional.

De acordo com o mesmo estudo, em 28 casos foram tomadas medidas para investigar as causas desse episódio de violência e em 51 situações a vítima considerou que a ocorrência poderia ter sido prevenida. Em 55 casos a vítima entendeu como habitual acontecerem episódios de violência na instituição e em sete foi apresentada queixa à polícia.

Quanto ao grau de satisfação da vítima, face ao modo como a instituição geriu o caso, 29 manifestaram muita insatisfação, 18 indiferentes, 13 insatisfeitas, seis satisfeitas e um muito satisfeito.

O estudo demonstra igualmente que o número de ocorrências é superior à segunda-feira, com 16 casos, seguindo-se a sexta-feira, com 14, e a quinta-feira, com 12, sendo que em quase 50% dos casos se verificam entre as 8:00 e as 14:00 (37 casos).