Um dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) disse, esta sexta-feira, à agência Lusa que há 18 utentes em Lamego que estão, desde o fim do ano, sem apoio domiciliário de reabilitação que era feito por uma enfermeira em mobilidade.

Duas enfermeiras que estavam em mobilidade na Unidade de Cuidados na Comunidade de Lamego foram notificadas para regressarem ao Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro sendo que, uma delas, era a única especializada em reabilitação e estava com um projeto ao domicílio que teve de deixar para regressar ao hospital”, contou Alfredo Gomes.

Este responsável sindical explicou à Lusa que este projeto envolvia “18 utentes com mobilidade muito reduzida”.

Esta enfermeira desenvolvia reabilitação de forma ativa e passiva para tentar criar nas pessoas alguma mobilidade e até para evitar complicações que surgem nas pessoas por estarem acamados”, explicou o responsável pelo SEP na região da Beira Alta, Viseu e Guarda.

Alfredo Gomes contou que, assim que as enfermeiras foram notificadas, em novembro de 2018, para regressarem à instituição de origem, o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), “e prevendo o que iria acontecer”, o SEP contactou a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, o centro hospitalar e o Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Douro Sul.

E há todo o interesse das instituições que elas se mantenham onde estavam, no cuidado de saúde primários. O que acontece é que, mesmo depois de ter sido publicado o Orçamento do Estado que prorroga as mobilidades por mais um ano, mesmo havendo interesse das partes para se manterem onde estavam, o CHTMAD, até hoje, não foi autorizado a contratar dois enfermeiros para as substituir”, explicou.

O responsável adiantou que, neste sentido, “as enfermeiras foram obrigadas a regressar ao local de origem, provocando assim a saída de duas enfermeiras, principalmente a de especialidade em reabilitação, da unidade de cuidados na comunidade”, que contava com seis profissionais e, “neste momento, com mais estas saídas, fica com dois enfermeiros”.

Não estamos a falar da contratação de 40 ou 50 enfermeiros. São dois. Não percebemos porque é que o Ministério da Saúde, com uma resolução tão fácil, como a de autorizar o centro hospitalar a contratar dois enfermeiros, não percebemos porque é que a situação não se resolve e a solução não é encontrada”, questionou.

Alfredo Gomes acrescentou ainda que “o próprio Ministério da Saúde diz que, nestas situações, a autorização dos contratos nem precisa de ir ao Ministério das Finanças, o próprio Ministério da Saúde dá o aval à situação”, o que leva o sindicalista a questionar o “porquê destes doentes ficarem sem os cuidados que tinham, se era só contratar dois enfermeiros para as substituírem”.

A segunda enfermeira em causa estava no Centro de Saúde de São João da Pesqueira o que, no entender do sindicalista, “agrava a situação do interior do país, porque é ainda mais interior que Lamego, é o mais interior profundo do país, o que deixa esta região com menos profissionais” da área da saúde.

Ou o Ministério da Saúde pondera a situação e autoriza a que o centro hospitalar contrate dois enfermeiros para as substituir, e elas regressam onde estavam, ou então assume que não autoriza e esta população, de uma região já desfavorecida, deixa de ter este tipo de cuidados”, desafiou o sindicalista.

Alfredo Gomes lembrou que “não se trata de verbas avultadas, é uma questão de vontade por parte do ministério” e, “para ser uma decisão em tempo útil, tem de ser tomada nos próximos dias, porque este tipo de doentes não pode ficar duas, três semanas, sem estes cuidados”.