O bastonário dos engenheiros disse, nesta quarta-feira, que o acordo assinado entre universidades portuguesas e brasileiras, que vai permitir o reconhecimento recíproco de graus académicos, é «uma vitória» para o exercício pleno de funções dos engenheiros portugueses no Brasil.

«Foi um passo de gigante, dado no sentido de reduzir as peias que estavam a dificultar o exercício da atividade de profissionais portugueses de elevada competência», defendeu Carlos Matias Ramos, citado pela Lusa.

Universidades portuguesas e brasileiras assinaram na terça-feira, em Brasília, um memorando de entendimento para agilizar o reconhecimento dos graus académicos em Portugal e no Brasil, facilitando o acesso profissional de diplomados nos dois países.

O convénio, que numa fase inicial abrangerá os licenciados em Engenharia e Arquitetura, foi celebrado entre o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, a maior associação de universidades do Brasil, com sede em Brasília.

«É uma vitória porque permitirá libertar-nos desta peia que era o reconhecimento de profissionais que fizeram a sua formação em escolas de engenharia portuguesas de referência e que estavam a ter dificuldade de reconhecimento de diplomas por parte de escolas superiores de engenharia no Brasil», sustentou o bastonário.

No entanto, Carlos Matias Ramos alertou para o perigo da saída em grande número de engenheiros nacionais para o exterior. «Esperemos que não. A larga escala significaria um desastre para a economia portuguesa. Não há nenhum país no mundo que se desenvolva sem uma engenharia de qualidade. Não se pode pensar que se resolvem os problemas de um país apenas do ponto de vista orçamental, tem de haver crescimento e crescimento implica produção.»

O bastonário observou, ainda, que a Ordem dos Engenheiros não tem um registo «rigoroso» do número de profissionais portugueses que trabalham no Brasil, ou em outros países onde também, por não haver acordos de reconhecimento de diplomas, torna difícil a contabilização exata.

O número é, no entanto, «muito elevado», garantiu, adiantando que a Ordem tem «várias solicitações de colegas que querem deslocar-se para exercer a sua atividade».

Já a contabilização no sentido inverso é mais fácil de fazer. A Ordem dos Engenheiros tem registados 354 cidadãos brasileiros devidamente autorizados a exercer a atividade em Portugal e Carlos Matias Ramos não prevê que este número cresça em consequência do acordo agora assinado.

¿«este momento a economia brasileira está pujante. Existem planos de crescimento económico assentes em infraestruturas, portanto eles não vêm para cá. O que pode acontecer, e está a acontecer, é que, em resultado do crescimento de países como Angola e Moçambique, as empresas brasileiras, reconhecendo a qualidade e competência dos engenheiros portugueses, pretendam contratá-los para exercer nesses países», adiantou o bastonário.

Para além destes dois países africanos lusófonos, a emigração de engenheiros portugueses, sobretudo dos engenheiros civis, faz-se sobretudo para a América Latina, não sendo o Brasil o único país do continente americano escolhido como destino por engenheiros e empresas portuguesas.
Redação / CM